9.10.05
Tímida Intimidade
povoa de medo e desejo
a minha solidão.
Temo essa vida doente,
esse viver de quem mente
a seu próprio coração.
Não quero acordar, de repente,
pacificamente domada;
dos meus sonhos não posso abrir mão.
Mas não quero seguir pela estrada
completamente sozinha; então
talvez te peça para ser paciente,
para ser simples, para ser persistente,
para ser novo, ou se não, diferente
até eu ter a coragem de, contente,
deitar na tua a minha mão.
(Essa é para ser lida ao som de "O Último Romântico", do papa do pop existencial, o poeta Lulu Santos. Ah, esses Lulu Santos...
E para quem não se lembra:
"Faltava abandonar a velha escola,
tomar o mundo feito coca-cola,
fazer da minha vida sempre o meu passeio público,
e ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único.
Talvez eu seja o último romântico
nos litorais desse Oceano Atlântico.
Só falta reunir a zona norte, a zona sul,
iluminar a vida já que a morte cai do azul.
Só falta te querer, te ganhar e te perder,
falta eu acordar,
ser gente grande pra poder chorar.
Me dá um beijo e então
aperta a minha mão.
Tolice é viver a vida assim,
sem aventura.
Deixa ser pelo coração
Se é loucura, então melhor não ter razão" )
6.10.05
Maré Alta
e te temer...
te querer...
e te temer...
Quebram nas praias do peito
as ondas da emoção.
Eu assisto 'a beira-mar
a subida da arrebentação.
Te querer...
e te temer...
te querer, te querer...
e te temer...
Subitamente me dou conta
de não estar com os pés no chão
mas sim em mar aberto
numa pequena embarcação
te querer, te querer...
e te temer...
te querer, te querer, te querer...
2.10.05
Por ter acordado ainda muito mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre -
Vou onde o vento me leva e não me deixo pensar."
(Mais uma do Alberto Caieiro. Essa vai carinhosamente de presente pro Marcelo, pra coroar aquela nossa conversa sobre estar disponível para as coisas que a vida nos oferece... Aprendendo a ser pétala flutuando ao vento, folha sendo levada rio abaixo!)
1.10.05
Que vem a chiar, manhaninha cedo, pela estrada,
E que para de onde vem volta depois,
Quase à noitinha, pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelos brancos...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Ou então faziam de mim qualquer coisa diferente
E eu não sabia nada do que de mim faziam...
Mas eu não sou um carro, sou diferente,
Mas em que sou realmente diferente nunca me diriam."
(Alberto Caieiro)
27.9.05
fica difícil reconhecer a coisa certa
a se fazer. São possibilidades inúmeras:
uma multidão de portas abertas.
Construímos planos e estratégias - castelos
baseados na forma dura, na linha reta.
Acreditamos que a razão
Vai nos mostrar a saída correta.
Mas a vida, para além de qualquer plano
e à revelia de nossas metas
Se constrói por si mesma
E no final, sem saber, a gente acerta.
(Dedico este poema à Raquelzinha, minha coabitante, que nesse momento é alguém tentando fazer a coisa certa)
24.9.05
My Babe Plays the Blues
Right now I haven't got any clues
I don't know if he ever thinks of me
All I know is he plays the blues
I don't know what my babe likes
Is he as interesting as he looks?
I don't know if he'll ever call me
All I know is he plays the blues
I don't know if my babe is sweet
If he's as caring as he should?
I don't know if my babe is hot
All I know is he plays the blues...
(Essa é para ler ouvindo blues. De preferência, um bem animado e alto astral!)
20.9.05
Passo à Frente
mas deixei finalmente para trás
tudo aquilo por que passei.
Passo a passo: é como eu vivo.
Estando mais leve, abro os braços:
em breve ensaio meu vôo de pássaro.
15.9.05
Falando-te de igual para igual, protesto
contra a ignóbil atitude que tiveste
(atitude esta fraca e previsível, igualmente)
de decidir ignorar-me
pois, ao fazê-lo, acendeste
a ígnea ira que, em meu peito ardente,
transforma-me em ignara fera ignívoma.
Desejaria antes a ignorância de tal ignomínia
a esta pira de ódio a me incender a alma!
(esta é só para quem tem dicionário! hehehehehe...)
10.9.05
Luto para Enterrar esse Luto
Façamos silêncio
Em respeito à alma que vela o seu finado amor.
Amigos,
Postemos somente a página branca
Em memória ao vazio onde antes era cor.
Amigos,
Ouçamos à distância
O uivo dos ventos gelados de inverno, o uivo de dor.
Celebremos a hora morta.
Ah,
se pelo menos o defunto também ficasse quieto!
4.9.05
À Esquerda
O meu olho esquerdo é míope;
três vezes mais míope que o direito.
E enxergar com clareza sentimentos
é três vezes mais difícil que pensamentos.
Frequentemente meu pé esquerdo inflama:
os ligamentos reagem ao impacto com o chão.
E minhas emoções às vezes também se ferem
no impacto do contato duro com a realidade.
Meu seio é volumoso;
é difícil ouvir meu coração.
E meu impulso de nutrir os outros é tão grande
que mal ouço minhas próprias necessidades.
28.8.05
Ambivalente
que me violenta com delicadeza,
que me dilacera a carne com doçura,
que me estrangula a alma com palavras doces,
que me abandona permanecendo presente,
que me despreza atenciosamente,
que me aperta a garganta com mão suave,
que me sangra o ventre e me ampara,
que me esmaga cuidadosamente,
que me esquece oferecendo o ombro amigo,
que me aniquila com dedicação,
vá com cuidado pro inferno,
que eu te odeio com todo o meu carinho.
26.8.05
Não quero ver,
nem saber o que me toca.
Não quero pensar nos olhos, nem na boca,
nem naquilo que me falta.
Se me salva, ou se me mata,
Não quero saber. Eu tento
esquecer a dor e o desalento.
Não quero falar do que se passa.
Eu só quero que caia sobre o mundo
um silêncio de crepúsculo, de sepulcro,
uma escuridão de nunca e fundo,
um vazio.
Antes era tudo.
Agora é nada, negro, mudo.
25.8.05
Autopsicografia
O poeta é fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
23.8.05
Você me afogava,
eu te sobrevivia.
19.8.05
Eu acho que vi um gatinho...
Tenho um certo pânico de cachorros, mas adoro gatos. Sempre quis ter um, bem manhoso, pra me fazer companhia, cafuné e carinho. Imaginava o meu gatinho um daqueles alaranjados, com o olho verde, e ia botar nele o nome de Michel, que parece nome de gato, parece "Miau"... Mas uns problemas "operacionais" me impedem de ter um gato aqui no apartamento (é o gato, ou a Quel, e sabe, né... ela dá menos despesa! hehehehehe). Mas agora dei um jeito de ter o meu gatinho: espiem lá embaixo no blog! O Michel vai ficar sempre aqui, vai receber todo mundo quando eu não estiver, e ele é muito brincalhão! Adora perseguir o cursor do mouse ou quando a gente brinca com ele com aquelas traquitanas que aparecem naquela janelinha do lado da cesta dele!
18.8.05
15.8.05
Poética do Abandono
Nasci para sentir falta.
Eu sou um andarilho que caminha quase sempre só
levando um cajado e uma bolsa cheia de lembranças
dos amigos em outros continentes,
dos amores mal terminados,
e de todas as vezes que entreguei o coração a alguém que se foi.
A minha vida é sentir falta,
e a minha poesia é metafísica,
porque é conversar com quem já não mais está.
Eu caminho só
e só a ausência é quem me faz companhia.
14.8.05
Pra Comemorar o Dia dos Pais
8.8.05
Mar Interior
No universo simbólico dos mitos e arquétipos o mar é um símbolo muito forte de tudo o que é feminino, fluido, emocional, abrigo e abismo. O oceano é uma metáfora forte do nosso inconsciente, o vasto lugar que guarda nossas emoções mais acolhedoras e também os monstros mais assustadores. Para a psicologia analítica, trazemos dentro de nós um mar a ser navegado e desvendado. Esta é, talvez, a fonte da longevidade do verso "navegar é preciso".
Assim sendo, não pude deixar de me espantar esta tarde em plena aula de fisiologia. O professor falava sobre homeostase, que é o equilíbrio constante (e fundamental para a existência da vida!) que existe nos fluídos do nosso corpo e em todas as nossas células. Ele explicava que a vida surgiu no oceano pois a sua água oferecia justamente as tão necessárias condições estáveis de temperatura , concentração, salinidade, etc. Com o tempo e a evolução, os organismos desenvolveram a capacidade de manter por si a homeostase, o que permitiu que a vida conquistasse novos ambientes. E, dizia ele, a verdade é que os fluídos corpóreos dos seres vivos, os líquidos existentes dentro e fora de nossas células, encontram o seu equilíbrio em condições de concentração e salinidade que são em tudo similares àquelas encontradas na água do mar!
Em poucas palavras: os seres vivos puderam sair do oceano, este útero primitivo que nos acolheu e nos formou, porque eles aprenderam a trazer o oceano dentro de si.
Navegantes, naveguemos...
7.8.05
Quadrinhas e Saudades
de você e de tudo o que fazíamos juntos,
das horas perdidas com qualquer assunto
regadas a cerveja, mate e vinho tinto.
Estar na praia e ver nascer o dia,
ou ver você gastar toda a sua didática
pra me dar uma dica importante de informática.
Você era a minha melhor companhia.
E no entanto, agora tudo está mudado.
A vida nos fez uma dupla partida.
Eu estudante, você formado,
morando naquela cidade poluída.
Na minha memória você vai ficar
sempre como uma lembrança querida.
Espero que a gente saiba encaixar
uma velha amizade numa nova vida.
(Taí. Um poeminha engraçadinho e despretensioso, só pra reestabelecer o fluxo sanguíneo na minha veia poética!)
5.8.05
4.8.05
Que se danem os nós
"Vim gastando meus sapatos
Me livrando de alguns pesos
Perdoando meus enganos
Desfazendo minhas malas
Talvez assim chegar mais perto
Vim achei que eu me acompanhava
E ficava confiante
Outra hora era o nada
A vida presa num barbante
E eu quem dava o nó
Eu lembrava de nós dois
mas já cansava de esperar
E tão só eu me sentia e seguia a procurar
Esse algo alguma coisa alguém
que fosse me acompanhar
Se há alguém no ar
Responda se eu chamar
Alguém gritou meu nome
Ou eu quis escutar?
Vem eu sei que tá tão perto
E por que não me responde
Se também tuas esperas
te levaram pra bem longe
É longe esse lugar
Vem nunca é tarde ou distante
Pra te contar os meus segredos
A vida solta num instante
Tenho coragem tenho medo sim
Que se danem os nós"
Mais uma música da Ana Carolina que me faz pensar em muita coisa que anda acontecendo comigo. Perdas e ganhos, pessoas que ficam e pessoas que se vão, e descobertas sobre quem eu sou e o que eu quero... Bem, na verdade, por enquanto, muito mais perguntas do que descobertas, mas um dia eu chego lá.
1.8.05
hehehehehehe
Enquanto a "inspiração" não vem, e até para ajudá-la a achar o caminho de volta pra casa (essa filha pródiga...), lá vão algumas citações que encontrei sobre o difícil assunto do amor que tanto se busca e tão raramente se encontra:
"Sabe o que é melhor do que ser bandalho ou galinha? Amar.
O amor é a verdadeira sacanagem."
Tom Jobim
"A vida é a arte do encontro, apesar de haver tanto desencontro pela vida."
Vinícius de Moraes
"And love is either
In your heart or on its way"
Frank Sinatra
27.7.05
Brasão dos Maziero

"O brasão possui no seu escudo um ramo de café, que representa a principal atividade de radicação da família no Brasil; nesse ramo, os quatro grãos de café simbolizam as quatro famílias originadas pelos filhos de Luigi e Pierina. A cor de fundo do escudo é marrom avermelhado e simboliza a terra onde prosperaram as sementes de café e de onde se obteve, por muitos anos, o sustento da família.
A inscrição LP se refere às iniciais de Luigi e Pierina, o casal que deu origem ao clã. O nome da família está escrito abaixo do escudo, em cor branca, simbolizando a paz. Os laços existentes atrás do escudo representam o vínculo entre os familiares, e as cores verde, vermelho e branco remetem às três cores da bandeira italiana, país de origem da família."
Trecho de "Os Maziero", livro de Wilson G. Maziero que conta a história da família.
O brasão acima também foi desenhado por mim. Os Maziero realizaram um concurso interno à família para projetar um brasão para a família e dentre 14 propostas, a minha foi a escolhida. Acho que ele se parece com o que eu escrevo também porque os elementos tendem a ter mais do que um único significado, gosto de idéias que se superpõe, de simbologias... então, aí está, uma poesia minha sobre minha família em forma de brasão. :)
19.7.05
Solidão em Sol Menor
“quem me dera ter o som”
Mote de Marcelo Gilge
Quem me dera ter o tom
Pra compor uma canção
Afinada em sol menor
Pra espantar a solidão
Um blues pra se cantar de cor
Quem me dera ter o dom
De escrever uma canção
Que alivie toda a dor
A tristeza, a frustração
Do poeta e do cantor
Quem me dera ter o som
Pra tocar uma canção
Que trouxesse a luz do sol
A esse mundo escuro e vão
Por onde andamos sempre sós...
17.7.05
16.7.05
You Can't Always Get What You Want...
you can't always get what you want,
you can't always get what you want..."
Puta que o pariu... na próxima encarnação, eu quero nascer baixista duma banda de blues!
13.7.05
Sentidos
há muito não faço mais.
Extinta a lógica,
eu sigo o instinto.
Me desfiz de tudo o que eu havia pensado:
me despi do meu orgulho,
das aparências,
do bom-senso.
Eu me desnudei em camadas
até que restou somente
entre eu e você
a imensidão das coisas que eu tinha a dizer
sobre tudo o que aconteceu.
Até que restou somente
entre nós
o que eu havia
sentido.
(Ao que Mário Quintana responderia: "Que fique muito mal explicado: / Não faço força pra ser entendido. / Quem faz sentido é soldado.")
12.7.05
Férias na Fazenda...

madrugada na fazenda
alvorecer da modernidade
meses antes concebida
com muita tecnologia
uma pesquisa engenhosa
uma vaca e sua cria
ao cabo de x luas
uma feliz coincidência
a bezerrinha eram duas
com a clonada aparência
e a minh'alma, menina do interior
tomada de espanto e torpor
Ao perceber o acaso
Quase entrou em espasmo
Era esperada uma
Apenas havia um arreio
E eu, com algum receio
Segurei a segunda nos braços...
(poesia escrita a 6 mãos - eu, Gabi e Lucas - sobre a surpresa do nascimento de bezerrinhas gêmeas num experimento conduzido pelo laboratório do meu irmão. Essas belezinhas aí são fruto de um embrião com mitocôndrias de bovino e de búfalo!)
9.7.05
“Um monstro de delicadeza”
Falarei baixo
Para não perturbar a tua amiga adormecida
Serei delicado. Sou muito delicado. Morro de delicadeza.
Tudo me merece um olhar. Trago
Nos dedos um constante afago para afagar; na boca
Um constante beijo para beijar; meus olhos
Acarinham sem ver; minha barba é delicada na pele das mulheres.
Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente
E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha palma
Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento
Se me entediam, abandono-as delicadamente, desprendendo-me delas com uma doçura de água
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim
Desprende esse fluído que as envolve de maneira irremissível
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
Mas com singular delicadeza. Não sou bom
Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado
Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida
Como um lobo. Se não fosse delicado
Já não seria mais. Ninguém me injuria
Porque sou delicado; também não conheço o dom da injúria.
Meu comércio com os homens é leal e delicado; prezo ao absurdo
A liberdade alheia; não existe
Ser mais delicado do que eu; sou um místico da delicadeza
Sou um mártir da delicadeza; sou
Um monstro de delicadeza.
7.7.05
Soneto de Quarta-Feira de Cinzas
Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada
Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada
Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura
Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.
Comprei ontem uma antologia poética do Vinícius de Moraes, em comemoração ao meu primeiro dia de férias. Que doce surpresa encontrei enquanto “namorava” o livro! Trazia algumas poesias do livro “A Arca de Noé”. Num instante fui transportada de novo para a minha infância. De repente me lembrei de que quando era pequena eu tinha um (ia falar CD, mas naquela época...) tinha um LP da Arca de Noé que eu escutei praticamente até furar (e quem me conhece nem duvida de que eu sou capaz! hehe) Descobri de repente que ainda me lembro perfeitamente das melodias, e das letras, que delícia! “Lá vai São Francisco / pelo caminho / de pés descalços / tão pobrezinho (...) dizendo ao vento / bom dia amigo / dizendo ao fogo / saúde irmão”. E me dei conta de que o Vinícius me acompanha (ou seria eu quem o acompanha?) desde pequenina... e ai, quanto Vinícius eu li na adolescência, quantos sonetos... e hoje em dia ainda a poesia dele fala comigo, vai no fundo do peito e da alma... tem uma, linda, linda, que fala da sombra, dessas coisas que a gente tem dentro e até se assusta (próximo post, prometo)... e tem essa que eu postei hoje que me faz pensar em gente querida...
5.7.05
To Hope To Wait
que a tua solidão seja grande como a minha.
Assim você saberá o que me falta agora
e o que sempre me faltará.
Eu espero
que a tua solidão seja musical como a minha.
Assim você saberá ouvir
o meu canto e o meu silêncio.
Eu espero
Que a tua solidão seja poética como a minha.
Assim você poderá entender
a tristeza e a beleza nos acontecimentos da nossa vida.
Eu espero
que a tua solidão seja noturna como a minha.
Assim você conhecerá meus abismos
e a minha escuridão.
Eu espero
que a tua solidão seja violenta como a minha.
Assim entenderás a raiva
e as feridas.
Eu espero ainda
que a tua solidão seja paciente como a minha,
para que saibas esperar por mim,
assim como
Eu espero
por ti.
3.7.05
A Física descobre Deus?
"Atualmente, vem crescendo o consenso, muito lentamente, de que a Física Quântica não está completa, a menos que concordemos que nenhum fenômeno é um fenômeno a menos que seja registrado por um observador, na consciência de um observador. E isso se tornou a base da nova ciência. É a ciência que, aos poucos, mas com certeza, vem integrando os conceitos científicos e espirituais.
Não há dúvida que a Matemática Quântica é muito capaz, muito competente, e ela prevê o desenvolvimento de ondas de possibilidades, a matéria é retratada como ondas de possibilidades. O modo como elas se espalham é totalmente previsto pela Física Quântica. Mas agora temos probabilidades de possibilidades. Nenhum evento real é previsto pela Física Quântica. Para conectar a Física Quântica a observações reais: não vemos possibilidades e probabilidades, na verdade vemos realidades. Esse é o problema das medições quânticas. E luta-se com esse problema há décadas, como eu já disse, mas nenhuma solução materialista, uma solução mantida dentro da primazia da matéria foi bem sucedida. Por outro lado, se considerarmos que é a consciência que escolhe entre as possibilidades, teremos uma resposta, mas a resposta não é matemática. Teremos de sair da matemática. Não existe Matemática Quântica para este evento de mudança de possibilidades em eventos reais, que os físicos chamam de ‘colapso da onda de possibilidade em realidade’. É essa descontinuidade do colapso que nos obriga a buscar uma resposta fora da Física. O que é interessante é que se postularmos que a consciência, o observador, causa o colapso da onda de possibilidades, escolhendo a realidade que está ocorrendo, podemos fazer a pergunta: qual é a natureza da consciência? E encontraremos uma resposta surpreendente. Essa consciência que escolhe e causa o colapso da onda de possibilidades não é a consciência individual do observador. Em vez disso, é uma consciência cósmica. O observador não causa o colapso em um estado de consciência normal, mas em um estado de consciência anormal, no qual ele é parte da consciência cósmica. Isso é muito interessante. O que é a consciência cósmica diante do conceito de Deus, do qual os místicos e teólogos falam?"
28.6.05
Aos leitores desse blog
Aprendi com a Cecília Meireles, que aprendeu com a primavera, a me deixar cortar.
E a me deixar voltar sempre inteira...
27.6.05
Sobre um Fim que não tem Fim
(para alguém que se foi
e levou consigo esse imenso pedaço de mim)
O teu olhar é parte
da minha visão
não é justo que me deixes
na escuridão
O teu corpo é parte do meu
teu terror, tua risada,
não é justo que me deixes
sem braços, sem pernas, sem nada...
Os teus sentimentos
são a carne do meu coração
não é justo que me faças
fria razão
Tuas palavras são pedaços
de tudo aquilo a que pertenço
não é justo que me faças
silêncio...
23.6.05
Vida de Astronauta
Cada época tem a sua magia;
eu achava que ser astronauta
era vivenciar a magia do nosso tempo.
Sim, a tecnologia tem lá a sua mágica, mas
o que eu queria era poder flutuar
e pensar que estava voando;
poder explorar outros planetas, novos mundos.
Me distanciar,
olhar a Terra de longe e,
quem sabe?
desta perspectiva diferente
compreender aquilo cujo entendimento nos é negado,
a nós que temos os pés no chão.
Quando cresci, mudei de planos.
Abandonei os projetos espaciais, acalentei outros sonhos...
Mas mantive os olhos atentos à magia
de ser leve, de aprender,
de adentrar o desconhecido
e de tirar os pés da terra.
Não sou astrounauta, mas arquiteta
de paisagens interiores.
Psicóloga exploradora de mundos,
e poeta!
Os Dois Relógios
"Um homem com um relógio pode dizer as horas; um homem com dois já não tem certeza"
(Gabriela Mezzacappa)
O que discutíamos na aula era o dever moral e ético do psicólogo de ajudar o paciente a recuperar a sua capacidade de trabalhar, e de amar, sem julgar as suas opções de vida. O dever que temos de conseguir atender alguém cujas convicções se choquem com as nossas; mesmo que ele/a seja bandido, drogado, prostituído, de outra religião, ou ateu, homossexual, prepotente, ou só chato, e de conseguir ajudar esta pessoa a ser feliz com as suas próprias convicções. Parece tão difícil a princípio. Parece que seremos obrigados a abrir mão de tudo o que é certo e nos curvar às maluquices e incongruências deste mundo.
Mas me ocorreu que fica bem mais fácil se a gente lembrar que esses conceitos do que é certo ou errado são convenções tão arbitrárias quanto o fato de que agora são 4:04, como poderia ser 5:13 ou 1:55, ou outro número qualquer. E que da mesma forma que nada garante que um relógio possa estar mais certo que o outro, nada comprova que uma maneira de viver seja mais certa que outra.
Manifesto-me aqui então em prol dessa idéia: andemos todos sempre com dois relógios. É para sempre lembrar do quanto certas verdades podem ser relativas...

19.6.05
Aprendendo a voar?
ela abre os braços em cruz.
Acima, a imensidão do céu infinito,
metáfora de todo o sucesso possível.
Abaixo, a escuridão profunda do abismo,
O pavor e o medo cabível.
Ela fecha os olhos,
respira,
e se atira.
16.6.05
Balanço de Aniversário
O que se perde
quando se envelhece?
Será que se aprende a ser mais amigo?
O que fica? O que muda?
Crescer é presente ou castigo?
Será que se amadurece?
Será mais importante o que se aprende,
ou o que se esquece?
Sem as pistas, vou tateando.
Há um mistério; investigo.
Talvez não encontre as respostas,
mas posso acabar encontrando comigo!
12.6.05
Sincronicidades: Qual calmaria?
"Jung criou o termo sincronicidade para designar “a coincidência no tempo de dois ou mais acontecimentos não relacionados causalmente, mas tendo significação idêntica ou similar, em contraste com sincronismo, que simplesmente indica a ocorrência simultânea de dois acontecimentos”. A sincronicidade, portanto, caracteriza-se pela ocorrência de coincidências significativas. (Nise da Silveira – Jung: Vida e Obra)"
Estou voltando de um período de “calmaria compulsória”, no qual fui jogada à força por uma gripe que me deixou absolutamente prostrada por quase 24 horas ininterruptas. Sem levantar da cama nem pra comer... Logo eu, que estava aprendendo a contemplar a calmaria, descobri que só observar não adianta. Se alguém aqui dentro resolve que você vai aprender a viver a calmaria com tranqüilidade, ao invés de com aquela mistura de tédio e ansiedade, bem... você vai aprender a viver, meu amigo, não é só ficar olhando não... Mas de qualquer forma, olha só o que eu achei na minha volta:
Calmaria de Tatiana: o post que vocês podem ler logo aqui abaixo.
Calmaria de Gabriela: outro post sobre a calmaria de uma poetisa que eu adoro
(com uma coincidência paralela: a menina sobre a lua, Karina)
Calmaria de Simone: uma leitora nova que deixou um comentário num post aqui embaixo, e que, para a minha surpresa, tem um blog chamado “Qualquer Calmaria”
10.6.05
Calmaria

Calmaria...
Tarde quente, sem vento
Nenhuma folha se move.
Ar parado.
Rotina, longamente conhecida.
Coração vazio.
Velha cidade,
O mesmo céu,
As mesmas casas...
No fim do dia, não tenho pressa
Contemplando o céu límpido e sem nuvens.
Quantos azuis diferentes podem haver
Num céu de uma só cor?
Adoro esta paz.
Adoro estes raros,
Preciosos momentos
De vida em suspensão,
Em que tudo é silencioso:
A natureza está quieta,
A cidade está quieta,
O coração está quieto,
E até a poesia,
Esta criança,
Se aquieta...
Mas silenciosamente
(impertinente!)
aquela primeira estrelinha
atinge a minha seda azul!
E me traz de volta aos ouvidos
A voz do velho sábio:
“A calmaria é senão o prenúncio do tumulto!”
Em pouco tempo, mil estrelas surgem!
Cai a noite, surge a brisa,
Acendem se os postes e os faróis!
De noite, a cidade acorda,
A roda viva da vida se põe de novo a rodar,
E tudo muda muda muda muda muda!
Shh... Espera um minuto...
(...)
Ouve comigo este silêncio...
5.6.05
A Sombra e o Homem

Não se separam luz e sombra;
São a mesma coisa pelo avesso.
A luz do dia mais claro
Desenha as sombras mais nítidas:
quanto mais luz mais sombra...
Na noite mais escura
Brilham mais as estrelas:
quanto mais sombra mais luz!
(E esta daqui é a versão do Fernando Pessoa / Alberto Caieiro:)
"Por isso essas canções que me renegam
não são capazes de me renegar
e são a paisagem da minha alma de noite
a mesma ao contrário..."
4.6.05
Negra Noite
Estava no princípio de uma estrada
estreita, escura, esburacada,
numa negra noite sem lua.
O caminho sinuoso mergulhava
numa escuridão densa e silenciosa.
Relutei.
O negrume da noite preenchia todos os vazios,
me isolava de todas as coisas.
Só havia eu,
a escuridão
e a estrada.
Tudo o que eu podia ver
era a distância até o próximo passo,
e mais nada.
Foi tremendo de medo
que decidi seguir
e deixei
que aquela noite profunda me engolisse.
Neste preciso momento,
olhei para o alto
e vi:
na mais negra das noites,
milhões de estrelas cintilavam!
31.5.05
30.5.05
Quem de nós dois
Não é assim tão complicado,
Não é difícil perceber.
Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer?
Se eu disser que já não sinto nada,
Que a estrada sem você é mais segura,
Eu sei, você vai rir da minha cara,
Eu já conheço o teu sorriso
E o teu olhar.
Teu sorriso é só disfarce
E eu já nem preciso
Que amo mesmo
Ta ruim pra disfarçar.
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos.
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso,
Meio na contramão...
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada!
Eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar o sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na sua vida
Pra não te encarar
Pra não dizer
De novo sempre a mesma coisa
Falar só por falar
Eu já não tou nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não interessa
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
E o meu olhar
O meu sorriso é só disfarce,
E eu já nem preciso..."
Uma música sobre a coragem de dizer o que é que vai pelo coração da gente... a coragem de dizer, e às vezes, se necessário for, a coragem de repetir...
Gabi, pra você que postou aquela frase do Humberto Gessinger "Eu fui sincero como não se pode ser", eu deixo aqui o meu palpite: acho que isso não existe. Não acredito em limite pra sinceridade. Já me estrepei bastante por abrir o coração mas mesmo assim não perco a fé. Tem horas em que eu não sei como é que se faz isso direito. Mas continuo acreditando que é isso que se deve fazer. Por mais violenta que seja a tempestade, não deixa de ser bela...
Pra que é que a gente faz poesia se não é pra isso?
23.5.05
Congresso Internacional do Medo
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas."
(Carlos Drummond de Andrade)
É isso aí. Hoje postando pra celebrar o medo e a covardia. A covardia de todo mundo, a sua, a dele, e a minha também. É pra homenagear a falta de coragem de quem não se aproxima, não se arrisca, e a falta de coragem de quem fica assistindo a covardia dos outros e não se atreve a fazer nada a respeito. E quero brindar a toda a covardia de quem pensa e não diz o que pensa, de quem sente e não enfrenta o que sente. Toda a falta de hombridade de quem não se examina e nem sabe o que tem dentro; e a pior, a de quem sabe e não admite.
Viva todo o medo do outro, e todo o medo de si!
18.5.05
Meditação
sobre não estar só)
Aprender a ligar
a se apoiar
a querer ter
a depender
Aprender a somar
a conviver
a bem-querer
a completar
E decidir se arriscar
no habitar
no responder
no viver
no apaixonar-se
e no perder
E finalmente descobrir
que existir
é se entregar...
14.5.05
Não apague a luz
que eu quero ver o teu riso,
que eu quero ver o teu gozo.
Quero ouvir os segredos nas tuas canções,
aprender teus caminhos
(contemplar as tuas alucinações
e as minhas).
Eu quero conhecer o teu corpo,
descobrir teus desejos,
explorar os teus sonhos, e medos
e sentir o teu cheiro,
mas primeiro, te beijar...
E quero
que você me morda o pescoço,
me afague os cabelos,
e me agarre a cintura.
E quando cair a noite escura,
me deixa dormir no teu peito,
me deixa ficar desse jeito
que eu quero te abraçar com doçura...
Ao nascer do dia
adorarei tua figura.
Quando os primeiros raios de sol
acenderem o dia no quarto
eu quero te amar novamente.
Eu, que te conheci na madrugada,
serei a amiga apaixonada
quando raiar a aurora.
E por isso te peço agora,
querido, sem pressa,
não apague a luz.
Há toda um vida
na noite que começa.
9.5.05
Um mundo de imagens de múltiplos sentidos.
Há toda uma outra realidade,
Um planeta diferente onde vivo,
Onde durmo, acordo, me alimento,
Onde rio, onde choro e me espanto,
E que cresce e se transforma no meu íntimo.
Nesse mundo, onde há deuses, e serpentes,
E campos floridos, e abismos profundos,
Eu me movo flutuando.
Observo como as cores são etéreas,
E se transformam com o tempo.
Reclinada no meu leito de folhas,
Eu assisto a tempestade se formando,
E sei sempre muito claramente
Que ela chegará arrancando árvores e telhados,
Alagando as casas, invadindo os páteos,
Derrubando as linhas de força e comunicação,
Destruindo pontes, queimando as casas...
E sei também que, no final,
haverá somente o silêncio e a cidade arrasada,
E a chance de um novo começo...
8.5.05
Prêmio Guinnes dos Récordes do Mundo Bizarro

Fundir o motor do carro, ficar sozinha na beira da estrada, gastar a maior grana, perder a terapia... chegar em casa, cadê a chave? Ficar trancada pra fora do apartamento. Chamar o chaveiro, gastar mais grana... Ligar pra amiga, dar linha cruzada, ficar com fama de louca... Chorar na frente de todo mundo, pagar o mico do vexame... Tentar me consolar indo assistir um show de blues... e o show ser cancelado!!!!!
6.5.05
28.4.05
(In)Confidências
Ele gritou comigo:
- Porque foi que você disse a ele que estava apaixonada?! Porque foi que você fez isso?!
Primeiro, foi aquele susto. Eu nem sabia que ele já sabia. Meu cérebro encharcado em álcool tentando entender a súbita e áspera informação nova. E ele continuava:
-Me diz porque foi que você fez isso!!
Não tinha outra explicação:
-Bom, eu falei porque era verdade...
Eu tentei explicar que eu não queria que nada disso tivesse acontecido, que eu tentei lutar contra aquele sentimento, que eu não queria ter envolvido ninguém naquela história, e muito menos que ele tivesse ficado sabendo daquilo por qualquer outra pessoa que não fosse eu... Mas eu não conseguia me explicar, nem ele me entender:
-Eu não entendo você, eu não entendo o que você faz, eu estou cansado de ficar tentando adivinhar o seu blog!!
Outro susto. Já tinha falado pra tanta gente que o que eu mais gostava naquele relacionamento era que eu sempre tinha tido a liberdade de expressar tudo o que eu sentia... Nunca antes tinha falado tanto sobre os meus sentimentos a respeito de uma pessoa para a própria pessoa. Realmente, metade do que está no meu blog é sobre ele, mas toda vez que eu postava sobre ele, mandava um email avisando: "postei sobre você, vai lá ver".
Até que eu disse:
-Me apaixonei porque ele esteve comigo esse tempo todo, do meu lado... você me abandonou, me deixou, não entendo até hoje porque foi que você de repente parou de falar comigo daquele jeito...
E ele me disse que teve medo. Que viu todo mundo que estava lá traindo todo mundo que ficou aqui. E que não acreditou que eu ia conseguir. Que acabou se convencendo disso, e desistiu. E que quando ficou sabendo que eu estava apaixonada por outra pessoa, pensou: "Eu sabia que isso ia acontecer!"
Foi daí que EU entendi... O problema não era ele não me entender. O problema era ele não me acreditar. Não acreditou quando eu disse que iria esperar por ele. Não acreditou que o que eu falei sobre os meus sentimentos era exatamente o que eu sentia por ele (pelo menos, até a medida em que me é dado saber isso. Nem sempre a gente sabe o que sente). Não acreditou que quando eu disse que estava apaixonada é porque eu estava, que não já jogo, não há manipulação... Somente há sentimentos fora do meu controle e, muitas vezes, fora do meu entendimento...
Ele vai ler isso aqui. Primeiro, vai falar que não gritou. Segundo, vai ficar se perguntando: "Meu, essa menina não sabe quando chega a hora de abandonar um assunto?" Daí talvez fique tentando imaginar aonde é que eu quero chegar com tudo isso... Eu acho engraçado: eu SÓ me fodo, mas neguinho ainda acha que eu sei o que estou fazendo. Eu não tenho escolha: só posso ir vivendo a vida do jeito que ela vai aparecendo para mim. Ele não vai responder, no que eu acho que talvez ele faça bem. Ou não.
E eu? Eu vou tocar a vida em frente. Vou prosseguir levando um pouco de tristeza, porque eu também meti os pés pelas mãos muitas vezes nessa história; um pouco de alívio, porque pude finalmente entender muito do que aconteceu; um pouco de pesar, porque fiz outras pessoas sofrer; um pouco de paz, por saber dentro do meu coração que apesar de tudo de ruim que aconteceu eu ainda consigo ver coisas boas em todo mundo que fez parte dessa história. E mesmo que ninguém acredite em mim, vou prosseguir levando o meu amor confuso, palerma e abestalhado pra quem quiser e puder receber...
"Um dia triste,
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide..."
(Djavan)
Solidão
"A tua solidão
com a minha
é uma multidão".
(Gustavo)
e não vi nada.
Nem sequer vi
onde estava.
Só havia a solidão
da cantiga que eu cantava"
(Madredeus)
"E sobre a solidão, dizíamos: 'É tudo o que existe...'"
(Gabriela)
22.4.05
Passado Presente Futuro
Sem compreensão;
Sem desejo."
Aula da Cristina, falando sobre psicanálise. Agora não me lembro quem foi (Lacan?) que disse que o psicanalista deve ouvir sem memória, sem compreensão, e sem desejo. Ou seja, sem tentar relacionar com fatos do passado do paciente, sem tentar enquadrar o paciente, e sem ter expectativas sobre o que vai ser falado e o que se pode fazer.
Foi quando me deu um estalo. Não é só o consultório. É a vida inteira. A gente precisa viver sem memória, sem compreensão e sem desejo. Abandonar as lembranças, o que já passou... o entendimento, as interpretações... as expectativas, as vontades... e simplesmente estar experienciando o agora. A yoga tenta ensinar isso. O espiritualismo tenta ensinar isso. Carpe Diem é um pouco isso. Viver o momento. Inspirar em 3 e expirar em 6 e saber só o que está acontecendo aqui. As memórias são o passado, que já ficou para trás. As expectativas são o futuro, que não devemos antecipar. A compreensão é a tentativa de encaixar o presente em algum esquema pré-estabelecido. Vamos nos despir de tudo isso...
18.4.05
Seiscentos e Sessenta e Seis
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6a. feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas."
(Mário Quintana)
Correndo, correndo, correndo. Já perdi a conta de quantas vezes eu me peguei pensando: "Nossa, mas já é quinta-feira de novo!" E nós só estamos em abril! Estou fazendo muita coisa e o tempo passa por mim voando. Mas estou aproveitando como nunca essa outra oportunidade que a vida me deu. O Mário Quintana estava certo. Numa situação dessas, a gente simplesmente segue em frente, segue em frente...
12.4.05

"Pratique dança do ventre"; "Não faça aborto"; "Ame seu corpo"; "Seja carinhoso"; "Se respeite"; "Se exponha"; "Mostre sua cara - ou seu umbigo"; "Aceite sua barriga"; "Descubra como as partes do seu corpo se harmonizam"; "Tenha o rei na barriga"; "Enxergue um palmo além do seu umbigo"; "Have the guts to love"
11.4.05
4.4.05
Sobre o Amor Antes de Todas as Coisas
E adentrasse a minha vida de repente,
Antes que eu te conhecesse, e me assustasse,
E o desejo me invadisse...
Antes que eu te amasse,
Antes que eu te visse sofrido e derrotado,
E conhecesse a tua força,
Antes que eu me admirasse, me espantasse,
E te quisesse para sempre meu...
E antes, muito antes que você se fosse,
Antes que eu chorasse, que eu sofresse,
E te maldizesse,
E te odiasse, e me odiasse por te amar,
Antes que eu te perdesse,
E perdesse a mim mesma nesse luto...
Antes que você voltasse,
Que eu te visse, te reconhecesse, te perdoasse,
Antes que eu estivesse aqui a te dizer todas essas coisas...
E eu já sentia a sua falta...
3.4.05
1.4.05
31.3.05
Carente pra Caramba
Graça não tem.
Será que dá samba?
(um poeminha em homenagem ao meu lastimável estado emocional e àquela frase do Vinícius que disse: "pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza")
27.3.05
o não dito
silêncio...
silêncio...
silêncio...
silêncio...
...
esse maldito silêncio
que me estoura os tímpanos!
25.3.05
Frase Bônus:
(não me canso de achar expressões as mais variadas da filosofia do não-pensamento de Alberto Caieiro. Essa saiu dum blog que eu achei num outro blog que é dum cara que criou uma comunidade no orkut, etc etc blá blá. Clique no título do post para o link.)
O Nosso Amor a Gente Inventa
"O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver
Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba, a gente pensa
Que ele nunca existiu"
24.3.05
Silêncio Sincopado
Quando o teu surdo soa some o meu silêncio;
Sei que o meu repique te atrapalha o samba.
Sim, seria lindo se soasse certo,
Sinto que esse jam dava uma sinfonia.
Mas se é cedo, deixa, a gente toca um dia,
Assim que o sentimento se afinar com o tempo.
23.3.05
É. Eu admito que talvez devesse, mas confesso, não sei tudo sobre mim ainda não. Aqui vai um pouco do que eu já descobri até agora: sou uma ex-arquiteta, professora de inglês praticante, e atualmente aluna do curso de psicologia que se encontra totalmente apaixonada e envolvida pelo assunto! Adoro escrever, principalmente poesia, mas não me atrevo a me denominar poetisa – ainda! Bailarina de dança do ventre já tem uns 4 anos, tocadora de caixa na bateria da Federal (ainda não tem 4 aulas...), praticante de ioga (adoro um incenso, um óleo, um cheiro...) , totalmente viciada em livros e em chocolate!
Sou calma, muito carinhosa, apegada à minha família e aos meus amigos (faço coleção; tem uns que eu guardo há 10, 15, 20 anos...), bastante sociável – adoro uma bagunça, uma balada, qualquer coisa que junte gente – mas também tenho meus momentos de necessária solidão (ou solitude, como diria a minha mãe, pra escapar do termo pejorativo). Me considero uma boa ouvinte, e sou muito bem humorada: pode contar comigo pra rir de qualquer coisa, até de mim mesma! Procuro me situar em algum lugar entre a vaidade e o conforto, mas eu confesso que fico confortável se estiver me sentindo bonita mesmo que não esteja conseguindo respirar muito bem! Da mesma forma, acho mais importante ser feliz do que ter razão, mas fico bem contente quando percebem que eu estou certa! hehehe... Excessivamente autocrítica: muito mais exigente comigo mesma do que com os outros (na verdade, com os outros sou super condescendente, o que também não é bom).
Tenho a espiritualidade como uma questão presente mas que se manifesta de muitas formas diferentes. Vejo Deus naquilo que me traz paz, e que vem pra mim nas mais diversas maneiras: numa missa, numa aula de yoga, no meio do mato, dentro da cachoeira, andando de bicicleta, numa noite fria e estrelada... Ainda estou “procurando a minha turma” nesse quesito, mas comecei a freqüentar um centro espírita e estou acreditando que pode estar aí. Aliás, mato pra mim é fundamental. Sou muito urbana, mas preciso sentar na grama (mesmo que coce), ouvir o barulho do vento nas árvores, ver a água correndo ou simplesmente parada refletindo o céu, preciso regularmente de um horizonte verde e distante pra me reequilibrar.
No momento estou à procura de uma companhia pra dividir uma certa garrafa de vinho que o meu irmão me trouxe da Argentina, mas há certos pré-requisitos a se cumprir. Entretanto, não há pressa; afinal, o vinho só melhora com o tempo...
20.3.05
A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.
(poeminha do Carlos Drummond de Andrade em homenagem a um acesso de irreverência que eu presenciei este final de semana! :-) )
14.3.05
A GENTE SE FODE, MAS SE DIVERTE

Primeiramente, perdão pela grosseria do título. Mas é que o tema permite uma certa irreverência. Hoje eu quero falar do humor. Quero falar dessa capacidade que a gente tem, a gente precisa ter, de rir de nós mesmos e das nossas pequenas tragédias cotidianas. E, porque não, das grandes tragédias também...
Tudo o que é trágico é também um pouco cômico. A desgraça sempre tem um jeito meio abobalhado, meio atordoado, atrapalhado, cínico e desengonçado de acontecer. No meio do drama a gente se consola dizendo que um dia ainda vai rir de tudo aquilo. Pois eu acho que o barato mesmo é começar a rir imediatamente, intercalar o choro com o riso, e não perder nem um bocado do prato que a vida nos dá pra provar (adoro aquela cena de Harry e Sally quando ela está chorando porque o Joe vai se casar, e o Harry faz uma piada... é ótima a performance da Meg Ryan rindo e chorando ao mesmo tempo!).
Velório da minha tia. O obituário dizia assim: “Morre Amália Maziero. Deixa as irmãs Armelinda (in memorian), Rosalinda (in memorian), casada com Israel (in memorian), Mafalda, casada com Ernesto (in memorian), Palmira, casada com não sei mais quem, in memorian, in memorian....” Meu irmão leu aquilo e soltou: “É, tá mais pra encontra as irmãs....” E rimos! Afasta a dor? Ah, quem dera, quem dera... Mas nos faz lembrar que a gente ainda está vivo, e que a vida é boa, e que é por isso que vale a pena ficar triste quando alguém se vai.
Outro dia, na revista Veja, a Lia Luft escreveu citando alguém que dizia pra ela que em certos momentos da vida é o humor, mais que o amor, que nos salva. Eu vou mai longe. Tem uma frase do Roberto Freire que diz que é o amor, e não a vida, o contrário da morte. É baseada nessa frase que eu solto a minha máxima sobre o assunto: “É o humor, e não a vida, o contrário da morte”.
13.3.05
Tango
Quando sucumbi aos seus cabelos macios,
Quando seu olhar me invadiu e me fez negra
Quando desejei ser sombra para ser sua...
Quando cada instante parecia triste
E quanto à solidão, dizíamos: é tudo que existe!
Quando chorei duplamente, por mim e por você...
Quando vi seu mundo com meus olhos,
Quando renasci, mais inteira e mais bela,
Quando você foi você, eu fui eu, e tudo foi nada,
Bem, respirei o teu suor...
Bem, me perdi na tua boca...
Bem, reencontro eminente
Que não seja um tiro no escuro
Mais um passo em falso no abismo,
Que seja eu a te guiar agora,
Na simplicidade e na pureza do meu riso!
(Lindo. E pra quem quiser mais, Fotolog da Gabi, aí do lado)
12.3.05
Houston, we have a problem!
Se um cara que já está conversando com você vira e diz assim: "A gente precisa conversar"... você está com problemas!
Se quando a coisa já está acontecendo o cara vira e diz assim: "Vamos deixar acontecer"... então você está com sérios problemas!!
Em qualquer um dos casos, ....
11.3.05
Outono
10.3.05
Linha cruzada
"Garotos como eu
Sempre tão espertos
Perto de uma mulher
São só garotos"
Eu:
"Quem sabe eu ainda sou uma garotinha..."
Garotos
Cada vez que eu acho que dessa vez entendi, a coisa dá errado de novo de uma maneira totalmente nova!
8.3.05
A um passarinho
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
Some-te daqui!"
É, eu não consigo fazer poesia quando estou feliz demais, mas o Vinicius consegue! :-)
Psicologia é o Paraíso!!!
Minha nossa! Eu estou tão espantada! Eu nunca imaginei que um lugar como esse existisse!
Primeira semana de aula, estamos conhecendo os professores, o programa dos cursos, e os nossos colegas. Tem hora na aula que eu acho que é piada. Os professores começam a passar o conteúdo dos cursos, e eu fico me perguntando como é que eles podem ter montado um curso inteiro só com coisas fascinantes!!! Aula de genética: me dá vontade de ligar pro meu irmão - o às da clonagem - e contar que vou ter aulas sobre aconselhamento genético, heredopatias, doenças genéticas de causa multifatorial e genética do comportamento! Saio da aula e quero ir correndo pro xerox porque não aguento esperar até amanhã pra ler o material da próxima aula! Aula de psicologia geral: o professor vai adotar um livro que se chama "40 estudos que mudaram a psicologia". Corro os olhos pelo índice dos autores dos estudos: Pavlov, Freud, Skinner, Masters e Johnson, Piaget... quase não acredito que vou poder estudar exatamente os trabalhos mais importantes desses nomes que eu sempre ouvi!! E no índice do título dos trabalhos então?? "O efeito da privação de sono", "A teoria das inteligências multiplas", "Comportamento hipnótico, uma perspectiva cognitiva, social e biológica", "A natureza do amor", "Resposta sexual humana", "Constantes culturais na face e nas emoções", e por aí vai. Textos sobre biologia e comportamento humano, consciência, aprendizagem, inteligência, memória, desenvolvimento humano, emoção, personalidade, psicopatologia.... Um melhor que o outro. A metade mais cínica do meu cérebro fica pensando que esses professores ainda não entenderam que escola serve pra nos atazanar, como é que pode ser tão prazeroso? A metade mais sensata fica se preguntando se o povo que fazia arquitetura comigo sentia esse tipo de prazer quando os professores passavam o cronograma da matéria...
Eu perdi muito tempo. Muito mesmo. Mas felizmente, me achei. Dessa vez me achei.
E o melhor. Toca meu telefone, era a terapeuta trocando o horário. A Bárbara me pergunta: "o que vc vai fazer sexta-feira?" "Terapia", respondo. Ninguém me olha estranho. Mais da metade das meninas da sala já fizeram, ou ainda fazem. O que é que eu estava fazendo que não cheguei aqui antes?!?!?!
Agora, concordem comigo numa coisa... bixete empolgada é o fim! hehehehehehehe
6.3.05
(Pedro Bial)
Hoje eu me despedi de uma das pessoas que eu menos queria ver indo embora na minha vida.
Espero que ele volte.
3.3.05
2.3.05
Boa Noite...
"Me queira bem,
durma bem,
meu amor....
Durma bem,
me queira bem,
meu amor..."
Calourada Comédia!
Houveram alguns momentos "mundo bizarro", devido à enorme presença de pessoas de 17 anos... no meio do apadrinhamento, a gente tinha que se apresentar, falar quantos anos tinha, de onde vinha, etc, e tinha que declarar a sua "posição sexual" favorita. Uma bichete muito novinha e meio desesperada do meu lado olhou para mim e disse assim: "Posição sexual?? como assim??" Eu olhei para ela e achei melhor nem responder!!!!!! huhauhauhauhauahuaha
Hoje aconteceu a cervejada da psico. Simplesmente (já reparou? sempre que a gente começa uma frase com "simplesmente" é porque vc vai falar de algo que não é nem um pouco simples...)... mas enfim, os meninos da eng. mecânica da usp simplesmente abandonaram a cervejada deles e invadiram a nossa! Isso foi inusitado!
Mas aparte as gafes, é muito bom!!!! Estar numa festa, puxar papo com um menino gatinho, e de repente vc está falando de Freud, de Jung, de Reich, de Skinner, e blá blá blá... coisas pelas quais sempre me interessei como uma forma de hobbie meio solitário; daí um dia vc se descobre num meio onde quase todo mundo curte isso! É realmente demais!
Estou super empolgada! Bixete empolgada é o fim!
1.3.05
Bixete postando!!!
Achei um tempinho de pausa no meio da calourada pra vir aqui no Laboratório de Informática da Psicologia pra fazer o meu primeiro post como aluna da psico da federal!!!! Ai que orgulho!
Eu estou adorando tudo!!! O curso, as burocracias, os veteranos!!!











