9.1.07

Galileu, Gleiser, Geminianos e outros Grandes Mistérios…

A edição 186 da Revista Galileu, de janeiro de 2007, traz uma reportagem de capa sobre um grupo de cientistas que ergue a bandeira da fé cega na ciência em contrapartida ao fundamentalismo cristão que assola o Ocidente. Nada contra manter Darwin no currículo de biologia ao invés da idéia de que Deus criou o mundo em 7 dias, mas na mesma edição da revista, um outro texto me fez pensar no quanto a ciência é pretensiosa em se anunciar como a portadora de toda a verdade sobre um Universo acerca do qual tão pouco conhecemos.
O artigo em questão é o texto de Marcelo Gleiser (o físico bonitão – hehe – do Fantástico) sobre do que o Universo é feito. Transcrevo-o abaixo, mas para quem quiser o link direto, é só clicar aqui.
Neste texto o professor nos conta que apenas 5% do universo é composto de matéria tal como a conhecemos – feita de neutrons, prótons e eletrons. Outros 25% do “material de construção” de nossa realidade é a chamada “matéria escura”: sabemos que ela existe devido à sua força gravitacional, e sabemos que ela não é feita de protons e elétrons, mas não sabemos do que é feita então. E, para piorar, os 70% restantes compõem-se do que chamamos de “energia escura”, da qual não conhecemos a natureza, mas sabemos que não é formada por partículas, mas sim espalha-se por todo o cosmos como uma sopa de energia.
Impossível não pensar em todas as implicações mais malucas e metafísicas. A primeira delas, como já mencionei acima, é constatar que uma ciência que conhece apenas 5% daquilo que nos cerca não pode estar sendo senão mentirosa ao afirmar que pode nos dizer com certeza o que é e o que não é possível ou existente, nos assuntos mais variados, que vão desde a mecânica quântica até os limites da metafísica.
Sim, pois quem é que pode nos afirmar, por exemplo, que a astrologia não tenha algum tipo de fundamento, se estamos nós e os planetas todos mergulhados em uma sopa de energia feita de algo que não conhecemos, que não medimos e que não controlamos, cujas propriedades ignoramos totalmente? Podemos tanto imaginar que o seu posicionamento nos afeta, como imaginar que não, e qualquer uma das possibilidades não teremos como provar ou refutar antes de entender o que é a energia escura.
Antes de conhecer a natureza desta energia escura não podemos dizer que não haja alguma forma de verdade nas práticas orientais como o feng shui; não podemos refutar a existência dos chackras, nem da aura, nem dos meridianos energéticos da medicina oriental. Não podemos relegar práticas espirituais como o passe dos espíritas ao reino da crendice ou da superstição, mas apenas ao reino daquilo que ainda não temos como investigar.

Saudemos o ano novo com a mente aberta!

Tatiana, Geminiana com ascendente em Leão, Espírita Kardecista e Xereta Profissional! :)

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HORIZONTES
Escuridão cósmica
Como todo modelo científico, o Big Bang tem suas lacunas. A maior de todas é o mistério sobre a matéria e a energia escuras

A cosmologia - a parte da física que estuda as propriedades do Universo - tem passado por momentos emocionantes. O assunto, como escrevi para a reportagem de capa de Galileu de novembro, é bem controverso. A origem do Universo, ou como surgiu "tudo", é algo que mexe com as pessoas, despertando apaixonadas discussões. Nos quase 80 anos desde que o astrônomo americano Edwin Hubble descobriu que as galáxias distantes estão se afastando da nossa Via Láctea, o modelo do Big Bang tomou corpo e aceitação na comunidade científica: o prêmio Nobel de 2006 foi para John Mather e George Smoot, ambos responsáveis por observações que provaram conclusivamente que o Universo teve, de fato, uma infância muito quente e densa como prevê o Big Bang.
Porém, como todo bom modelo científico, o Big Bang também tem suas limitações. Existem várias lacunas ainda não explicadas, tanto nos primórdios da história cósmica, durante os primeiros centésimos de milésimo de segundo após o "bang", quanto, pasme caro leitor, no Cosmo atual.
Por incrível que pareça, não sabemos do que o Universo é feito. Ou melhor, qual a composição da matéria que preenche o Cosmo. A situação enfrentada pelos cosmólogos é semelhante à de um cozinheiro que sabe que precisa de três ingredientes para fazer o seu bolo, sabe a quantidade necessária de cada ingrediente, mas só conhece um deles.
O ingrediente conhecido, claro, é a matéria normal, feita de prótons e elétrons, que compõem tudo o que existe, das pedras e borboletas aos anéis de Saturno e as estrelas. O problema é que medidas obtidas nas últimas décadas indicam que essa matéria normal é a minoria absoluta no Cosmo. Para ser mais preciso, apenas 5% da matéria cósmica. E os outros 95%? Em torno de 1930, o astrônomo Fritz Zwicky demonstrou que galáxias que coexistem em aglomerados - grupos de galáxias que, atraídas pela própria gravidade, giram em torno de si mesmas como moscas em torno de uma lata de lixo - comportam-se como se atraídas por muito mais matéria do que aquela visível. Mais tarde, ficou claro que em torno de 90% da matéria em aglomerados e mesmo em galáxias individuais é invisível a olho nu.
O estranho é que essa matéria não é composta de elétrons e prótons como os nossos átomos. Sabemos que ela existe devido à sua força gravitacional, mas não sabemos do que é feita. Por isso, essa matéria foi batizada de "matéria escura". Medidas das velocidades de galáxias em aglomerados e das propriedades da radiação de fundo cósmico - a radiação de microondas que banha o cosmo - indicam que aproximadamente 25% da matéria cósmica é matéria escura. Somando com os 5% de matéria normal, chegamos a 30%. Faltam os outros 70%.
Em 1998, outra descoberta astronômica sacudiu o mundo científico. Objetos muito distantes e brilhantes, conhecidos como supernovas do tipo Ia, parecem estar se afastando menos rapidamente do que a expansão prevista pelo Big Bang. Menos rapidamente com relação a quê? A objetos mais próximos. Como a luz vinda de objetos distantes deixou-os no passado remoto, a conclusão é fantástica: em torno de 10 bilhões de anos atrás, o Universo resolveu acelerar sua taxa de expansão, como se uma espécie de antigravidade tivesse passado a agir. A questão, claro, é o que pode causar esse efeito? Vários candidatos foram propostos para descrever essa "energia escura", que nem cara de matéria tem, não sendo formada por partículas, mas, sim, espalhada pelo Cosmo como uma sopa de energia. Sabemos que ela ocupa precisamente os outros 70% da receita cósmica. O desafio agora é descobrir o que são essa matéria e energia escuras. Quem acha que não existe emoção em ciência não sabe o que está perdendo!

Marcelo Gleiser, de 47 anos, é professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, e autor de cinco livros sobre ciência e conhecimento



6 comments:

Lucas said...

Olá, Dona Sumida!
Tanto não estou sumido deste seu blog que eu comentei, salvo engano, o penúltimo texto.
Quanto ao meu blog, este está parado porque o departamento jurídico das Organizações Lucas, gestora do portal "Lucas.net" e detentora de 49% das ações deste, está tentando reverter na Justiça uma liminar que bloqueia o meu acesso ao meu próprio blog. Este tipo de censura ao conteúdo de um inocente "bloco de notas pessoas" (vulgo, "diário", ou sei lá o quê) que nada trata da vida das pessoas (a não ser da minha) é um ato que nos remete aos sombrios tempos em que, neste país, não se podia caminhar, cantar e seguir uma canção ao mesmo tempo.
Lamentavelmente, minha cara, estamos vulneráveis a este tipo de impropério judicial que suja ainda mais a imagem deste país e evidencia o poder de poucos invejosos que não conseguem sequer soletrar um "a" sobre eles próprios sem que contratem um pobre diabo e chamem-no biógrafo.

Vamos falar de algo bom, agora. Vamos deixar esse lixo jurídico e entrar até o pescoço no limbo de desconhecimento e radicalismo no qual insistem em nos atirar. Ora, crer cegamente em qualquer coisa é um ato radicalista e, de uma forma ou de outra, ignorante. Cientistas e filósofos podem se esbaldar de referências e grandes idéias, teorias e argumentos, mas aproximam-se cada vez mais dos fundamentalistas que criticam ao afirmar a correção de sua fé e a falsidade das demais. O problema da fé radical é que ela, ao meu ver, não concebe a existência concomitante de outra fé. Ou seja, o cidadão vai lá e afirma que o problema são os fundamentalismos que não se cruzam, e, como solução, afirma sua fé como a única que pode explicar o mundo. Nesse sentido, a questão seria mais "como fazer para que pessoas de diferentes credos possam respeitar a fé de cada um", mas o que eles teimam em construir é uma Torre de Babel. Uma Torre de Babel construída com crenças diversas, radicais, impenetráveis e arrogantes na pretensão do conhecimento pleno, o que forma um grande amontoado de "fezes" que, obviamente, não é algo agradável ou até saudável. Apenas um monte de "fezes".

Acho que é uma entrada com o pé direito em 2007. Uma bela discussão para expandir nossas cabeças à moda einsteiniana.

Um feliz 2007! Beijo!

Gabi said...

Oi, Tatigirl! Super post para começar um super 2007, hein? Já há algum tempo desisti da idéia de que a verdade está ou não em algum lugar específico. A verdade está onde acreditamos que esteja. Ela é extremamente relativa, e é impossível um ser subjetivo como o ser humano dizer que existe uma verdade objetiva. De uns tempos pra cá percebi que, no fundo no fundo, tudo se trata de crenças. A gente escolhe seja por afinidade ou qualquer outro motivo, no que acreditar. O grande problema disso tudo é que a minha crença de que tudo é crença precisa deixar um espaço totalmente aberto a qualquer tipo de crença, de forma que todas elas são válidas (algumas não tão éticas, mas válidas), e a minha não passará senão de mua escolha consciente, e será que isso completa? Porque a impressão que eu tenho é que as pessoas estão sempre buscando algo que as complete, mas impossível de definir, seja a felicidade, a verdade, o conhecimento... E que essa história de crença é meio que um tapa-buraco que a gente tem pra não sofrer tanto pela falta de explicação, pela incerteza, pelo talvez... A ciência é uma crença (no caso que vc falou, poderíamos talvez comparar com uma seita muçulmana radical), bem como a astrologia, bem como a religião. Mas não acho que possamos chamar nada disso de superstição. Cada uma e todas elas são a ou uma verdade para alguém, pseudo-suprindo essa necessidade de sentir-se completo...

Bom, agora chega de filosofias de boteco, quero saber como vc tá, quais são as novidades... Estou esperando o e-mail que me deves ;)
Cá entre nós eu tenho uma boa notícia: este ano terei PC em SanCa =) De resto, to curtindo um belo dum tédio por aqui... rs
É isso, querida!
Beijão cheio de energia pra um 2007 muito bom!
=*

Lucas said...

Só pra fazer um markering barato, passa lá no blog de novo!
Vou ver se consigo atualizar aquilo mais regularmente e com um conteúdo um pouco mais reflexivo e interessante, como esse seu post genial! Parabéns, mesmo, de verdade!
Bjo!

Kiko said...

Oi Tati,

Há sempre pessoas que tentam relativizar tudo, até a verdade. E há as pessoas que tentam impor suas verdades a qualquer pessoa também. Para mim, fazem parte da mesma turma.

O que para mim une cientistas, budistas, católicos, kardecistas, filósofos e livres-pensadores e a eterna busca da verdade. Que seja inalcansável. Que seja impossível em uma vida ou em um século conhecê-la por completo. Não importa, mas sim a busca dela - a verdade - só tem um caminho. E este caminho se cruza de diversas formas.

E é por onde todos operam, no cruzamento dessas informações, na tentativa de alcançar mais conhecimento. Pode se usar rituais seculares, empíricos, meditação. O que não se pode é fechar a cabeça. Tem gente que acha que o catolicismo é culpa e perdão e flagelo. Ou acham que o budismo é o "zen" o "vazio", etc, etc.. Espiritismo? reencarnação. Candomblé? Oferendas a deuses pagãos? Ciência? Atéísmo. Assim, qq um relativisa tudo, perde a noção de julgamento e acaba paranóico como a maior parte da sociedade.

Praticamente, no estudo de história e mesmo filosofia, pula-se no Ocidente da filosofia greco-romana para o Iluminismo, Ignorando-se o "período das trevas" da Idade Média. Quanto conhecimento existe acumulado nestes séculos e apenas agora isto começa a ser reavaliado. Apressam-se a apontar a ignorância das ciências frente ao desconhecido (que agora até isso é preciso: são 95%) mas esquece-se que há apenas 5 séculos (dos pelo menos 50 de nossa cultura) acreditava-se que a terra era plana.

Acunpultura agora tem comprovação científica, embora não se saiba ao certo o seu modus operandi. A ciência é quem corre atrás do prejuízo, de coisas que alguns ou muitos já sabem de forma empírica. isso nào exclui a sua validade, aliás ela está aí para isto mesmo.

Só espero que o reconhecimento da ignorância dos cientistas não abra brechas para que qualquer "verdade" valha. Verdade não é como gosto, embora cada um tenha o seu. A verdade é um conceito, e embora a nossa percepção sobre ela possa ser múltipla - como é nossa percepção de Deus - isso não indica que ELA EM SI assim o seja. É preciso separar Verdade de Nossa Verdade, ou o que quer que funcione para não enlouquecermos ao sabermos que vivemos em 5% do mundo conhecido.

D. Afonso XX, o Chato said...

Desde os meus idos tempos de Astrofísico que descobri isso. Mais, além de não sabermos nada - ou quase nada - sobre o universo e a vida, o pouco que sabemos é sobre o passado. O presente é algo que não existe e o futuro é apenas imaginação. Por essas e outras razões é que cada vez menos procuro julgar as pessoas. Elas não são o que são, são apenas o que foram. E isso é imutável. bjs

betto said...

É, Tati... nada acontece por acaso! Foi muita sorte te encontrar por ai! =) Não sei quem é Camille Paglia, mas o Wikipedia vai me ajudar um pouco... hahaha. Um abração!!