10.9.14

"essa a vida que eu quero,
querida

encostar na minha
a tua ferida"

(Paulo Leminski)

1.9.08

The End

"O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia
morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja."
(Alberto Caieiro - O Guardador de Rebanhos)


***
Eu muitas vezes já disse que gostaria de ver estas palavras do Fernando Pessoa na minha lápide (espero que se lembrem desse meu desejo) porque eu acho que elas trazem um imenso consolo. Elas lembram que o fim também faz parte, que a morte é o que há de mais natural, e que também pode haver beleza depois de tudo isso.
Sinto que este fim ainda está longe, então como parece que não vou precisar do poema tão cedo, vou fazer um empréstimo. Fica aqui, para marcar o fim deste blog, que durante muito tempo foi um espelho e um interlocutor muito importante para mim.
O blog morre porque, como eu comentei com um amigo esta semana, estou "rasa". Já faz um tempo que me sinto distante de toda essa profundidade que rodeava muitas das coisas que aconteceram por aqui, mas acontece que de uns tempos pra cá, não alcanço mais toda esta "fundura", estou leve, bem mais leve que a água... agora só posso flutuar, me deixar levar pela corrente. Não consigo mais fazer o transporte daquilo que estava nas profundezas para a luz, pois agora eu habito a "flor da pele".
E não sei não... muito nesse blog era o Alberto Caieiro dizendo misteriosamente que pensar é estar doente dos olhos, é não compreender, e que viver é deitar na relva num dia de calor, sentir todo o corpo deitado na realidade, saber a verdade e ser feliz... vai ver que eu entendi. :)

Namastê!

24.7.07

Eu de novo cindida, tentando conciliar mente e coração, só consigo pensar em coisas que já postei antes aqui. Fazer o que, se o conflito se repete... a gente repete os posts.

***
Já dizia o Rubem Alves que isso que a gente pensa que é uma pessoa na verdade é uma pensão, onde os vários moradores debatem e entram em conflitos tentando decidir pra que lado vai a coisa. E esse que a gente pensa que é quem decide é só o síndico que, temporariamente, está mandando em tudo e bota a cara na janelinha. Se não me engano, tem essa crônica naquele livro dele "O Amor que acende a lua". Te digo que a briga no condomínio aqui dentro tá pior que a briga no Copa-Mar! rsssss....

Já dizia a Claudya Toledo (se é que eu não errei o nome dela) que a gente não é uma pessoa, a gente na verdade é uma turma!

***
E pra não dizer que eu não repeti os posts, vai um poeminha sobre isso tudo:

"Da incomunicabilidade:
Hoje so conversei comigo mesma,
E mesmo assim não consegui chegar num acordo."

(Gostaria de ceder os devidos créditos mas não me lembro o autor desse poema que eu conheci na adolescência e nunca mais esqueci, apesar de nunca mais ter encontrado. Já usei tudo quanto é palavra-chave no Google e nada. Alguém se habilita?)

***

Enquanto isso, sussurra um dos moradores:

"Tinha o tempo
em que você sentia,
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia!"

(Alice Ruiz)

20.6.07

Santo Antônio

Por duas vezes na minha vida eu cheguei num mês de junho me sentindo sozinha por causa do final de um namoro acontecido pouco tempo antes. Nas duas vezes eu acendi uma vela para Santo Antônio no dia do santo - que é 13 de junho - pedindo para ele me arrumar um novo namorado. Nas duas vezes, em menos de uma semana ele me trouxe de volta o namorado antigo.
Da primeira vez eu fiquei pensando "Bom, vai ver que Santo Antônio acha que esse é o homem pra mim", mas na segunda vez eu comecei a desconfiar que na verdade o santo tinha um senso de humor meio duvidoso.

Nesta última semana estive em São Paulo e tive minha bolsa roubada, com documentos, óculos de grau, essas coisas todas dentro. Falando com minha mãe ao telefone alguns dias depois, ela me deu a seguinte recomendação: "Acende uma vela pra Santo Antônio, que é o santo que ajuda a achar coisas perdidas, quem sabe alguém devolve os seus documentos."

Foi aí que eu entendi, espertinho esse tal de Santo Antônio! Ganhou fama de casamenteiro, mas na verdade o que ele faz é achar de novo pra gente o namorado que estava perdido....

9.6.07

Já não há espaço para happy ends.
Só para happy beginnings.

Antonio Prata

3.6.07

Once in a Blue Moon

A Lua
Fernando Pessoa
(dizem os Ingleses) (14-11-1931)

A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua(dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando.

17.5.07

Milágrimas

"A cada mil lágrimas sai um milagre"

(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

10.5.07

Primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano.


(Paulo Leminski)

7.5.07

Amor

Tem hora
em que eu quero que seja certo,
que seja seguro, que seja reto,
que seja justo.
Tem momento
em que eu quero que seja simples,
correto, descomplicado.
De vez em quando
eu faço questão de que seja claro,
que seja lógico, que seja clássico,
dócil, óbvio, fácil.

Tem dia
Em que eu só quero que tenha poesia.







"Seja sempre bem-vinda"

1.5.07

Organizar uma Festa

"O problema é que eu não consigo mais sofrer, acho tudo bonito! Eu estava chorando, abraçada ao travesseiro, eu estava quase conseguindo! Mas, de repente, fui tomada de uma alegria doida e fiquei me perguntando: por que a gente se despede com tanta tristeza, quando todo encontro é sempre tão bonito? Não deveríamos fazer uma festa? Marcar um dia especial para terminar o namoro e fazer esfihas, salgadinhos, sucos de cajá e kiwi com hortelã, assoprar balões coloridos, dançar até cair, cantar até perder a voz, dançar e cantar todas as músicas que cantamos um para o outro, abraçar até cansar, rir de todas as brigas, rir mesmo, até a barriga doer, celebrar o que um deixou no outro? E o que os dois deixaram no mundo? Distribuir os velhos presentes a quem se sente mais sozinho do que a gente? Terminar com o mesmo cuidado de um primeiro encontro? Eu fiquei pensando nisso, que parecia meio doido, mas bem menos doido do que chorar ou sofrer por algo que foi tão bonito..."

Faço das suas as minhas palavras, mas dando o crédito, que senão é plágio! O texto acima é da Rita Apoena, e está no blog "Jornal das Pequenas Coisas"

29.4.07

No meio o caminho

No meio das pedras tinha um caminho
Tinha um caminho no meio das pedras
Tinha um caminho
No meio das pedras tinha um caminho

Nunca desistirei da vida, dos sonhos, de nada.
Vou descansar as retinas, preparar a jornada
Porque no meio das pedras
Tinha um caminho
Tinha um caminho no meio das pedras
No meio das pedras tinha um caminho.


(para o meu lado budista que - sorte a minha - insiste em me trazer para o caminho do meio)

27.4.07

Pratododia

(O Teatro Mágico)

Como arroz e feijão
É feita de grão em grão
A nossa felicidade
Como arroz e feijão
A perfeita combinação
Soma de duas metades
Como feijão e arroz
Que só se encontram depois
De abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem?

Me jogo da panela
Pra nela eu me perder
Me sirvo à vontade
Que vontade de te ver...

O dia do prato chegou
É quando eu encontro você
Nem me lembro que foi diferente
Mas assim como veio acabou
E quando eu penso em você
Choro café e você chora leite


*Ah, que pena que eu tenho de quem não tem olhos para ver a magia que existe nesta vida...*

13.4.07

"We are all each other´s angels"

Um agradecimento a todos aqueles que cuidam de mim
e assim me ajudam a cuidar de quem precisa de mim.

(e pra quem precisa de mim como professora de inglês,
"somos todos os anjos uns dos outros")

4.4.07

Paradoxal

Eu aqui
completamente
pela metade.

(saído de um poema da Gabi)

28.3.07

Just a Girl

Apontamentos para um discurso feminista

Mudei de terapeuta e o que eu mais temia aconteceu: tive que começar tudo de novo. Hoje foi a 3ª. Sessão e quando eu dei por mim, lá estava eu discutindo a minha relação com o masculino, o lugar do masculino e do feminino “na minha vida” (o que significa uma combinação de “na minha cabeça” com “neste mundo”), e por consequência, a minha relação com os homens e mulheres da minha vida, o meu pai, minha mãe, meu irmão, o namorado... Saí de lá pensando que esse assunto me aborreceu a vida inteira.


Na adolescência eu era a filha “revolucionária” de um pai que tinha o rei na barriga, a irmã encrenqueira de um irmão que tinha um reizinho na barriga, mas que só era capaz de definir os meus ataques de feminismo com a frase “Camille Paglia baixou em mim” porque o soberano do lar pagou a minha educação até níveis estratosféricos para uma princesinha da sociedade brasileira. Dá pra ver que não é simples.

Na teoria Junguiana este embate entre o lugar do homem e da mulher na sociedade reflete uma disputa que acontece cotidianamente dentro de nossa psiquê durante o processo de individuação. Para Jung todos os seres humanos têm em si características que socialmente se convencionou serem pertinentes a este ou àquele sexo, mas que são do ponto de vista psicológico igualmente importantes. Sendo ambos os tipos necessários para a formação de uma personalidade completa, Jung demonstra como uma das maiores dificuldades do processo de amadurecimento é o trazer das profundezas inconscientes aquelas partes de nós que são tradicionalmente tidas como pertencentes ao outro sexo, e integrá-las à consciência. Não obstante a dificuldade envolvida neste processo, Jung mostra como ele acontece inevitavelmente, como que movido por uma parte do Self que deseja e impulsiona este auto-completar-se. Para Jung, o apaixonar-se é ver no outro as nossas próprias características inconscientes projetadas, e é por isso que se diz procurar no amor alguém que nos “complete”

Hoje em dia, com quase 30 anos e ainda solteira - por opção -, mas ainda acreditando que vai chegar o momento em que eu vou encontrar o cara que vai me “completar” mas não vai me atazanar - porque eu sou brasileira e não desisto nunca... rsss – eu olho em volta procurando provas, ou no mínimo indícios, de que esse cara existe, sabe quem é a Camille Paglia, e não é gay. Vejamos.

No final de semana encontrei com um casal de amigos que têm mais ou menos a minha idade e que estão casados há alguns poucos anos. Ela estava comentando como, ao tentar operacionalizar o casamento, eles acharam mais fácil tratar tudo como se fosse uma empresa, e neste processo decidiram de comum acordo que seria mais lucrativo investir na profissão dele do que na dela. E eu respondi que é um pouco surpreendente como, depois de tantos anos de lutas feministas, de sutiãs queimados nas praças públicas, e de mulheres nas universidades, no âmbito do casamento, o que a gente conseguiu efetivamente foi tomar – agora de comum acordo – as mesmas decisões que eram impostas às nossas mães.

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Não sabe quem é a Camille Paglia? Pode começar por aqui:

http://en.wikipedia.org/wiki/Camille_Paglia

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Sei que hoje, neste contexto, eu me peguei ouvindo novamente um CD que eu rachei de ouvir no final da adolescência. O CD se chama “Tragic Kingdom” de uma banda chamada “No Doubt”. A vocalista, Gwen Stefani, tem o visual mais “mulher objeto” que se possa imaginar. Uma pin-up moderna, mistura de cheer-leader com Marlin Monroe, com os cabelos platinados e a boca vermelha, ela canta músicas altamente feministas, cheias de sarcasmo e ironia, num tom de voz irado, raivoso, muito agressivo. Me faz pensar em contradição, paradoxo, oxímoro. O que poderia ser mais adequado?

Aqui vai uma das músicas dela que eu mais gosto. Mando junto a tradução, que é pra facilitar. Adoro a frase em que ela canta, gritando raivosamente “Am I making myself...” e então num tom muito doce, “...clear?”:)

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Just A Girl

Take this pink ribbon off my eyes
I'm exposed
And it's no big surprise
Don't you think I know
Exactly where I stand ?
This world is forcing me
To hold your hand


'Cause I'm just a girl, little 'ol me
Don't let me out of your sight
I'm just a girl, all pretty and petite
So don't let me have any rights
Oh...I've had it up to here!

The moment that I step outside
So many reasons
For me to run and hide
I can't do the little things I hold so dear
'Cause it's all those little things
That I fear

'Cause I'm just a girl I'd rather not be
'Cause they won't let me drive
Late at night

I'm just a girl,
Guess I'm some kind of freak
'Cause they all sit and stare
With their eyes
I'm just a girl,
Take a good look at me
Just your typical prototype
Oh...I've had it up to here!
Oh...am I making myself clear?

I'm just a girl
I'm just a girl in the world...
That's all that you'll let me be!


I'm just a girl, living in captivity
Your rule of thumb
Makes me worry some
I'm just a girl, what's my destiny?
What I've succumbed to Is making me numb
I'm just a girl, my apologies
What I've become is so burdensome
I'm just a girl, lucky me
Twiddle-dum there's no comparison

Oh...I've had it up to!
Oh...I've had it up to!!
Oh...I've had it up to here!

Só uma garota

Tire esta fita rosa dos meus olhos
Estou exposta,
E isto não é novidade
Você não acha que eu sei
Exatamente onde estou
?
Este mundo está me forçando
A segurar a sua mão


Porque eu sou só uma garota, coitadinha de mim
Não me perca de vista
Eu sou só uma garota, toda pequenininha e bonitinha
Então não me deixe ter direitos
Ah, eu estou por aqui com isso!

No momento em que eu saio
Tantas razões
Para eu correr e me esconder
Não posso fazer essas coisinhas das quais gosto tanto
Pois são estas as coisinhas das quais tenho medo

Porque eu sou só uma garota, e eu preferia não ser
Porque eles não vão me deixar dirigir
à noite

Sou só uma garota
Acho que sou algum tipo de anormal
Pois eles todos sentam e me olham
Com seus olhos
Sou só uma garota
Olhe bem pra mim
Seu protótipo típico
Ah, estou por aqui com isso!
Ah, estou sendo clara
?


Sou só uma garota
Só uma garota no mundo...
É só o que vc me permite ser!


Só uma garota, vivendo numa prisão
Suas regras
Me deixam preocupada
Sou só uma garota, qual meu destino
?
Aquilo a que sucumbi está me deixando
Anestesiada
Só uma garota, me desculpe
O que me tornei é tão pesaroso
Só uma garota, sorte a minha
Não tem comparação

Ah, estou por aqui!
Ah, estou por aqui!
Ah, estou por aqui com isso!