20.3.05

A bunda, que engraçada



A bunda, que engraça
da.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora - murmura a bunda - esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si

na cadência mimosa, no milagre

de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte
por conta própria. E ama.

Na cama agita-se. Montanhas

avolumam-se, descem. Ondas batendo

numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz

na carícia de ser e balançar

Esferas harmoniosas sobre o caos.


A bunda é a bunda

redunda.

(poeminha do Carlos Drummond de Andrade em homenagem a um acesso de irreverência que eu presenciei este final de semana! :-) )


2 comments:

karina said...

agora sim...tem tudo a ver...adorei essa bunda...beijao
ka

Gabi said...

Oi Tati!!! Salve a bunda! rsss... Cada coisa... =P
Quanto ao post passado... Fernando Pessoa é Fernando Pessoa... Escrever já é "difícil"... Heterônimos, então! rss...
Big bjo p/ ti...