3.12.04

A toca do coelho dava direto em um túnel, e então aprofundava-se repentinamente. Tão repentinamente que Alice não teve um momento sequer para pensar antes de já se encontrar caindo no que parecia ser um buraco bastante fundo.
Ou aquilo era muito fundo ou ela caía muito devagar, pois a menina tinha muito tempo para olhar ao seu redor e para desejar saber o que iria acontecer a seguir. Primeiro ela tentou olhar para baixo e compreender para onde estava indo, mas estava escuro demais para ver alguma coisa; então ela olhou para os lados do poço e percebeu que ele era cheio de prateleiras: aqui e ali ela viu quadros e mapas pendurados em cabides.
"Bem", pensou Alice consigo mesma. "Depois de uma queda dessas, não vou achar nada se rolar pela escada! Em casa eles vão achar que eu sou corajosa! Porque eu não vou falar nada, mesmo que caia de cima da casa!" (o que era provavelmente verdade.)
Para baixo, para baixo, para baixo.... essa queda nunca chegará ao fim?
(Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas)

1 comment:

merilin_b said...

"Ela não seria considerada corajosa caso não se deixasse cair em queda livre, na queda das intensas emoções, da descoberta da queda, na 'trincheira' queda, e do pós-queda... Ela é corajosa sim, porque a queda a faz levantar a cada sinal de queda, com a sabedoria de um adulto e o sorriso de uma criança...
Beijos"