28.3.06

Um pensamento nada poético para um momento sem poesia:

"Amigo é que nem parafuso. Na hora do aperto é que a gente descobre se presta."


E uma resposta vinda de um filme que é pura poesia:

"If you can't fix it, you gotta stand it." Ennis Del Mar, in Brokeback Mountain

24.3.06

"Sabe qual é a verdadeira questão para um pensador? - Não esperou por uma resposta. - A verdadeira questão para um pensador é: quanta verdade consigo suportar?"

("Friedrich Nietzche" argumenta com "Josef Breuer" em Quando Nietzche Chorou, de Irvin D. Yalom)

7.3.06

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando


(Paulo Leminski)

6.3.06

Questions in my heart

Eu queria perguntar: "Será que voce se esqueceu de tudo o que tínhamos em comum?" Mas disse apenas: "E aí, gostou dos filmes?"
Eu queria saber se ele já tinha pensado em como seria se nós estivessemos juntos, mas só disse que estava com sono.
Eu me perguntava como e' que ele tinha sido capaz de transformar uma amizade de profunda em superficial, mas falei de trabalho somente.
Eu queria dizer: "Foi voce quem se mudou, agora sou eu quem tem que telefonar?", mas disse apenas "Te vejo no sábado"
Eu queria pedir: "Por favor, n
ão me esqueça". Mas só consegui dizer: "Vamos ver no que vai dar".

" Love is the answer, at least
for most of the questions in my heart:
Why are we here? and
Where do we go? and
How come it's so hard?"

(Tatigirl ouvindo Jack Johnson)

2.3.06

É como diria o Fritz Perls...

"The only way out is through."

18.2.06

Tem dias...

Bem no meio de uma fase super tranquila, com muitos problemas de menos e algumas conquistas a mais, acordei com vontade de postar um poeminha que, pelo tema e pela forma, me faz pensar naquela uma coisinha que ainda está me faltando... ;)

Aroma do jasmineiro no ar.
E o teu cheiro,
Onde?

(Cristina Figueiredo)

17.2.06

O Gato

Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma seu banho
Passando a língua
Pela barriga.

(um poeminha de Vinícius de Moraes, da Arca de Noé, vindo direto da minha infância para comemorar um fato feliz: o Michel, meu gato virtual, ganhou uma "irmãzinha" real: Dora, uma gatinha que eu adotei!!!)

31.1.06

Em defesa da amizade entre homens e mulheres

Esses dias eu estava lendo a reportagem da Veja sobre “traição virtual” e algumas passagens do texto me deixaram ASSUSTADA.

Os tais especialistas consultados inventaram uma coisa que eles estão chamando de “traição branca”, ou seja, sem sexo. Eles qualificam relacionamentos virtuais de um dos cônjuges com pessoas de outro sexo como a tal da “traição branca” quando se trata de conversas que denotam um certo grau de intimidade, de familiaridade, conversas nas quais ocorrem confissões e outras demonstrações de proximidade emocional. E dizem que essa tal de traição branca é efetivamente capaz de abalar um relacionamento.

Isso me espantou de verdade. Pra começar, se é que esses tais especialistas (psicólogos e similares... o que me espera quando eu me formar??) sabem mesmo do que é que eles estão falando, podemos assumir que eles refletem em seu discurso uma visão que é amplamente difundida na sociedade. Algo como “É consenso no consultório que...”. O que seria, na verdade, a única justificativa para que se ouça o que eles têm a dizer em uma revista de circulação nacional. Então, pelo menos por hora, vamos assumir que este seja um ponto de vista generalizado...

Bem, ou muito me engano, ou esse tipo de relacionamento que ocorre com intimidade, familiaridade, confissões e outras demonstrações de proximidade emocional sem envolvimento sexual antigamente tinha um outro nome, que era AMIZADE. E se vamos partir agora pra um nível de possessividade num relacionamento que é tão grande ao ponto de se cogitar que um casamento possa ser abalado por uma simples amizade, acredito que a nossa visão sobre este tipo de vínculo precisa ser reavaliada urgentemente.

O artigo não faz essa distinção, mas subentende-se que os tais especialistas diferenciam a antiga amizade dessa nova “traição branca” com base em um conceito: o fato de que a amizade se dá entre pessoas do mesmo sexo, e a tal “T.B.” (pra encurtar a bobagem) entre indivíduos de sexos diferentes. E se for isso mesmo, fico ainda mais preocupada, pois isso seria um sinal de que estaríamos nos rendendo de volta a uma visão muito antiquada e machista de que a boa e velha amizade simplesmente é algo que não existe entre homem e mulher.

De duas, uma ( e parece que pelo menos desta vez serei capaz de chegar a alguma conclusão):

1) ou é preciso rever com muito cuidado os nossos pontos de vista sobre até onde vai a nossa liberdade pessoal dentro de um relacionamento como um casamento, já que há muito se sabe que essa coisa de 2 que se casam e viram 1 nunca deu nem dará certo;

2) ou então tem “especialista” por aí querendo ganhar dinheiro em cima de criar um problema novo sobre algo que não só nos é familiar, como também nunca foi nem deveria ser um problema.

Se você é assinante, clique aqui: VEJA ON-LINE

Se você está no orkut, clique aqui: AMIZADE HOMEM X MULHER EXISTE!!!

Se você acompanha regularmente este blog e está desapontado porque eu havia dito que não fazia “post raciocínio”, só “post sentimento”... pois é, em 2006 até agora estou sentindo com a cabeça! heheheheheheeh

13.1.06

Raciocina comigo...

Eu nasci em 1977, ano em que o divórcio foi institucionalizado no Brasil. Pois é: eu e o fracasso oficializado do casamento temos algo em comum. Cresci na década de 80 junto com os primeiros filhos de pais separados, acreditando, conforme a crença existente naquela época em uma pequena cidade do interior, que aquelas crianças filhas de pais divorciados nunca seriam capazes de se envolver em um relacionamento estável por falta de um modelo apropriado em suas infâncias. Pobrezinhos, filhos do divórcio... “Minha filha, cuidado quando for arrumar namorado! Veja se o menino não vem de um lar desfeito!” A gente acreditava que esses nunca iam saber ser “bons maridos”...

Mas eis que as décadas foram passando, e depois daquela safra de casamentos ‘de feto’ mas não ‘de fato’ que a gente presencia no início da adolescência, a uma certa altura do campeonato, as pessoas começam a casar de “caso pensado”. Para a minha surpresa, fui percebendo que, via de regra, os filhos de pais divorciados se atiram em direção ao casamento muito mais rápido e com muito mais entusiasmo do que nós, filhos de casamentos duradouros. Eles vão com determinação e ímpeto, dispostos a construir uma relação sobre bases novas e sem repetir os erros que determinaram o fracasso dos casamentos de seus pais. Me parece que os divórcios em suas histórias lhes deram um senso de “controle” dos problemas relacionados ao casamento, e uma idéia de que, se tudo for mal, ainda há o que se fazer afinal.

Em contrapartida, os filhos de relacionamentos duradouros me parecem responder a uma visão de que o casamento é uma prisão de onde não se escapa, uma cela dentro da qual as suas individualidades sofrerão inexoravelmente as maiores e mais cruéis formas de tortura – uma armadilha a se evitar a todo custo. Há momentos em que eu também me sinto assim, ao observar certas características de antigos casamentos, e mesmo do casamento dos meus pais. Descubro, perplexa, aos 28 anos, que na verdade sou eu a pobre criança sem um modelo decente a seguir.

Não obstante, de poucos anos para cá, um outro modelo de casamento me apareceu: aquele dos meus amigos recém-casados, filhos de divorciados. Já me peguei mais de uma vez perguntando a alguma amiga com poucos anos de casada: “Mas e aí? Vale mesmo a pena esse negócio?” Ao que recebo toda vez mais ou menos a mesma resposta: “É legal, mas se for pra ser feito direito, dá trabalho”.

De qualquer modo, das respostas delas extraio uma lista mais ou menos clara das características que devo procurar num rapaz se um dia qualquer desses eu decidir que vou mesmo entrar nessa de casar. E então, outra surpresa: as características que fazem um bom marido são diferentes daquelas que fazem um bom namorado, de maneira que me senti traída mais uma vez. Sempre acreditei que namorar era uma espécie de “test-drive” de casar, e com isso hoje eu vejo que pelo menos um dos namoros que terminei até tinha grandes chances de dar num bom casamento.

As características que fazem um bom marido (e uma boa esposa, da mesma forma), segundo este novo modelo, estão na verdade bem mais próximas daquelas que fazem um bom amigo. Neste ponto, me pergunto: “qual a vantagem de se ter 1 marido, quando se pode ter uns 4 ou 5 bons amigos (isso sem falar nas amigas)?" Mas uns meses depois me ocorreu que uma resposta possível é a de que, mais cedo ou mais tarde, os seus amigos também se casam, e daí eles começam a se envolver em uns assuntos dos quais fica difícil participar a menos que você convença a todos eles de que você seria a madrinha ideal pros filhos deles. Algo me diz, no entanto, que não é a mesma coisa...

Então tá. Ao fim e ao cabo, cheguei num ponto do raciocínio em que a lógica toda de se casar está em se poder ter filhos, formar uma família. Derivo pra 3 perguntas:

1) Será possível que eu vou ter que voltar a ser católica e dar o braço a torcer para aquele padre ortodoxo que falou uma vez que o propósito único do casamento é a procriação??

2) E se o propósito 1º. do casamento é de se formar uma família e ter filhos, será que o propósito 2º. é o de se passar por um divórcio doloroso com o testemunho das crianças, para que elas também possam se desenvolver em adultos casadoiros?

3) E se eu não quiser ter filhos?

É um beco sem saída. Eu devo ter perdido alguma passagem ali pra trás, esqueci de inverter algum sinal quando passei um termo de um lado a outro da equação, porque de alguma maneira eu terminei com uma conclusão que diz:

3 = 0

28.12.05

+ 2005

Faço minhas as palavras do Marcelo Tas:
"2005, ano bem complicado para se fazer um balanço. O finado ministro Rogério Magri diria que é um ano imbalançável."


(para ler o Blog do Tas, clique aqui)

27.12.05

Férias



É, teria sido melhor se eu tivesse realmente ido para Bora-Bora. Infelizmente, fiquei aqui. Uma situação engraçada neste fim de ano: muita coisa para pensar e no entanto, pouca vontade de escrever. Talvez de tudo isso emerja uma nova e importante conclusão, alguma maneira inovadora de lidar com as coisas. E é pra isso que 2006 está aí.

Enfim. Enquanto eu não volto, fiquem com todos os meus agradecimentos dos presentes recebidos em 2005: o relacionamento renovado com a minha família, todos os novos e também os velhos amigos, algumas reaproximações que foram mais do que importantes para mim, e - oras bolas - algumas vezes também um afastamento que é sinal de alguma maturidade. Tudo o que eu aprendi, tudo o que vivi, e as risadas que dei (e em 2005 não foram poucas!). E para completar, o meu pedido para 2006, que é na verdade a minha oração de todos os dias:

"Para 2006 peço sabedoria e força, para aceitar e enfrentar aquilo que estiver reservado para mim: que venham as alegrias que houver, as tristezas que eu tiver de ter, a companhia que me couber; e que eu aprenda o que eu puder."

20.12.05

Prefácio e Poema

“Porque tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
E porque um simples retrato
mais que você, me comove,
se você mesmo está presente?”
Cassiano Ricardo

“Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E tenho de fechar meus olhos para ver-te!”
Mário Quintana

É meu amigo,
e se queixa
de não estar sendo visto com clareza,
de se sentir pressionado
a responder a irreais expectativas
sobre ele pousadas.
É meu amigo, e se queixa
de que nós, as meninas,
não vemos senão ilusão.
É meu amigo, e percebo
que a elas também não vê claramente
a não ser quando elas se vão.

É, meu amigo...
A mim, igualmente, vês mais nítida
aquela que fui
do que esta que sou.
Mas meu olhar, agora cubista,
o dos múltiplos espelhos,
quer te ver por todos os lados:
os lados novos, e os velhos.
E aprendi, meu amigo,
a te amar em tua humanidade
exercida, por vezes,
à imagem e semelhança de Deus;
e outras tantas
a partir da prerrogativa do erro.
E é, meu amigo,
exatamente assim que te vejo.

19.12.05

Ainda Retrospectiva 2005

"Mas o mais importante não é a arquitetura. O mais importante é a vida, os amigos."
Oscar Niemeyer

5.12.05

RETROSPECTIVA MUSICAL 2005

Antes de iniciar este post, quero esclarecer um ponto de extrema importância: eu não faço resenha. Ainda que o Jorge[1] possa discordar, o fato é que eu deixo os posts recheados de pensamentos e opiniões e revisões críticas para outros tantos blogs por aí, porque este aqui não é um blog de raciocínio. Este é um blog de sentimento. Eu venho aqui para me emocionar com as minhas dores e alegrias, e espero que os meus eventuais leitores também me visitem para sentir comigo. Inclusive, tomo a liberdade de “consertar” Shakespeare na frase tema deste blog:

“Vem, sinta aqui ao meu lado, e deixa o mundo girar.”

Isto posto, vamos ao post.

A trilha sonora do meu 2005 foi o 2º. CD do Sun Walk & Dog Brothers, “To Change the Things”, pirateado por mim no final do ano passado em um episódio que inclusive foi o tema de um post muito do mal-educado (tenho a dizer em minha defesa que o CD era “incomprável” na época pois estava esgotado. Depois de furar a minha cópia de tanto ouvir, e quando o relançaram, comprei um de verdade e pude finalmente tê-lo autografado. Já quanto ao post mal-criado... bem, falta de educação não se justifica, mas se explica).

O CD em questão foi ouvido à exaustão porque ele “conversava” comigo. Minhas 2 músicas favoritas foram o fundo musical das minhas grandes conquistas (faixa 7: To Change the Things) e dos meus grandes fracassos (faixa 4: Incomprehension – que eu carinhosamente chamo de “música para suicídio”).

Conto isso motivada pelo fato de que, conforme anunciado em garrafais letras azuis aqui no blog, no final de semana que passou eles fizeram um show aqui em São Carlos, e um pré-lançamento do novo CD, “Blues to Feel Good”. Ouvindo “Happiness” e “A New World is Coming”, me veio a vontade, para variar, de dar uma olhada no que anda dando certo em minha vida. E a primeira coisa que me veio à cabeça – entrando certamente por meus ouvidos – foi a descoberta, neste ano, dessa paixão pelo blues. Descobri em 2005 que este é um estilo musical que é sempre capaz de melhorar o meu humor (mesmo quando às vezes o gaitista pisa na bola! *risos*), ainda que muita gente considere o blues um estilo meio simplório, e ainda mais que às vezes eu mesma concorde com isso. Mas estive pensando e acho que é justamente dessa simplicidade que eu gosto. Combina comigo, com as coisas que eu faço, combina com a minha poesia. E é como eu acho que a felicidade tem que ser: simples.

Fazendo aqui a minha retrospectiva 2005, e os meus votos para 2006, espero conseguir fazer com que o 3º. CD seja a trilha sonora do ano que vem. E que 2006 (ano em que escaparei dos “inta” pela última vez) seja um ano de simplicidade. O ano da “simples-idade”. Assim seja. E muito blues para vcs!



[1] Professor de Ciências Sociais para Psicologia. Resenhei um texto do Mauss como trabalho final para a disciplina dele este semestre...

2.12.05

Enquanto eu tento acabar com esse fim de semestre,
e sobreviver à prova de neurofisiologia etc etc etc,
fiquem com uma musiquinha que me tem feito companhia:

So Unsexy
Alanis Morissete


Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood
Somewhere along the way I think I gave you the power to make
Me feel the way I thought only my father could

Oh these little rejections how they seem so real to me
One forgotten birthday I'm all but cooked
How these little abandonments seem to sting so easily
I'm 13 again am I 13 for good?

I can feel so unsexy for someone so beautiful
So unloved for someone so fine
I can feel so boring for someone so interesting
So ignorant for someone of sound mind

Oh these little protections how they fail to serve me
One forgotten phone call and I'm deflated
Oh these little defenses how they fail to comfort me
Your hand pulling away and I'm devastated

When will you stop leaving baby?
When will I stop deserting baby?
When will I start staying with myself?

Oh these little projections how they keep springing from me
I jump my ship as I take it personally
Oh these little rejections how they disappear quickly
The moment I decide not to abandon me

27.11.05

Acasomancia

Assisto com um susto e um salto
à explosão para o alto
de tudo o que eu pensava saber.
Perplexa, vejo à minha volta chover
idéias e medos.
Sonhos, projetos e apegos
caem desordenados pelo chão.
Minhas certezas, não sei onde estão.
Em desalento procuro ao redor:
aqui, memórias; ali, um carinho maior...
São partes de mim espalhadas,
milhares de mim, variadas,
um espelho em cacos,
trechos, pedaços, nacos,
versos aleatoriamente jogados.
Tudo aquilo que antes fôra
meticulosamente arrumado
jazia agora no piso.
E eu, entre o choro e o riso,
notei que talvez houvesse, afinal
um tanto de ordem no caos,
algum sistema escondido,
uma forma qualquer de sentido,
à espera de ser descoberto.
Foi assim, de tanto mirar o errado,
que acabei enxergando o que é certo.

(Pra pensar:

Bom ou Mau?
Quando se está só
em meio à escuridão
qualquer vagalume é uma luz.)

24.11.05

4º. Sanca Blues Festival

Dia 03/12 - Noite do Blues

21h - Nuno Mindelis
abertura: Sun Walk & Dog Brothers

Ingressos à venda no Sesc São Carlos

Espia aí do lado as bandas de blues que eu recomendo e imagina só o que eu achei desta combinação!!!!!

21.11.05

Dois Poemas de Adeus

Você, que me ensinou a ser poeta,
me ensine agora a ser sozinha,
pois eu não quero mais viver nesta orfandade
que é ser sem você.
Você, que é pai de toda a poesia que há em mim,
me ensine agora a perambular sem destino
por estas ruas de nomes sem sentido
deste lugar onde você não está.
A cada vez que você se vai
morre em mim algo de mágico,
e a tua existência é só partida,
nossa vida é só de adeus...

* * *

Sem teu manto
sou tão
sem sentido...
Sinto muito;
muito
sentimento.
Sem ti, minto:
eu consinto
em ser sem ti;
consentimento
com sentimento
mas sem sentido.
Sem ti
sou somente só.
Sou só semente,
sem muito.
Só, somente.

19.11.05

Em Cartaz

Não demores muito mais, amor, dentro de mim.
Quando eu voltar quero a sala vazia
As portas fechadas do meu camarim,
E nenhuma lembrança que fale de ti.
Esta noite, anuncies, não haverá espetáculo.
Desço as cortinas, esvazio o palco.
Com um pouco de pó, disfarço minha mágoa,
E faço uma máscara para minha dor.
Tranco a magia no silêncio de um verso,
E em seus bastidores me faço um imenso deserto.
Sobre o tablado da casa tão conhecida,
Sou estrangeira inundada de incertezas,
E roubada de fantasias.
Derramo-me em uma fogueira estéril
Que descolore a chama retinta.
Expando-me de dentro de um abraço solitário
Que brevemente contém as memórias gritantes
As quais me convertem em momento, narração brusca.
Rompo e a esse lugar não pertenço mais!
No desfecho do ato, apanho meu caos
Estancando minhas tempestades.
Desboto a pintura que recobre meu corpo,
E trajo a minha própria nudez.

(Roberta Akemi Saito)