28.4.05

(In)Confidências

Ele gritou comigo:

- Porque foi que você disse a ele que estava apaixonada?! Porque foi que você fez isso?!

Primeiro, foi aquele susto. Eu nem sabia que ele já sabia. Meu cérebro encharcado em álcool tentando entender a súbita e áspera informação nova. E ele continuava:

-Me diz porque foi que você fez isso!!

Não tinha outra explicação:

-Bom, eu falei porque era verdade...

Eu tentei explicar que eu não queria que nada disso tivesse acontecido, que eu tentei lutar contra aquele sentimento, que eu não queria ter envolvido ninguém naquela história, e muito menos que ele tivesse ficado sabendo daquilo por qualquer outra pessoa que não fosse eu... Mas eu não conseguia me explicar, nem ele me entender:

-Eu não entendo você, eu não entendo o que você faz, eu estou cansado de ficar tentando adivinhar o seu blog!!

Outro susto. Já tinha falado pra tanta gente que o que eu mais gostava naquele relacionamento era que eu sempre tinha tido a liberdade de expressar tudo o que eu sentia... Nunca antes tinha falado tanto sobre os meus sentimentos a respeito de uma pessoa para a própria pessoa. Realmente, metade do que está no meu blog é sobre ele, mas toda vez que eu postava sobre ele, mandava um email avisando: "postei sobre você, vai lá ver".

Até que eu disse:

-Me apaixonei porque ele esteve comigo esse tempo todo, do meu lado... você me abandonou, me deixou, não entendo até hoje porque foi que você de repente parou de falar comigo daquele jeito...

E ele me disse que teve medo. Que viu todo mundo que estava lá traindo todo mundo que ficou aqui. E que não acreditou que eu ia conseguir. Que acabou se convencendo disso, e desistiu. E que quando ficou sabendo que eu estava apaixonada por outra pessoa, pensou: "Eu sabia que isso ia acontecer!"

Foi daí que EU entendi... O problema não era ele não me entender. O problema era ele não me acreditar. Não acreditou quando eu disse que iria esperar por ele. Não acreditou que o que eu falei sobre os meus sentimentos era exatamente o que eu sentia por ele (pelo menos, até a medida em que me é dado saber isso. Nem sempre a gente sabe o que sente). Não acreditou que quando eu disse que estava apaixonada é porque eu estava, que não já jogo, não há manipulação... Somente há sentimentos fora do meu controle e, muitas vezes, fora do meu entendimento...

Ele vai ler isso aqui. Primeiro, vai falar que não gritou. Segundo, vai ficar se perguntando: "Meu, essa menina não sabe quando chega a hora de abandonar um assunto?" Daí talvez fique tentando imaginar aonde é que eu quero chegar com tudo isso... Eu acho engraçado: eu SÓ me fodo, mas neguinho ainda acha que eu sei o que estou fazendo. Eu não tenho escolha: só posso ir vivendo a vida do jeito que ela vai aparecendo para mim. Ele não vai responder, no que eu acho que talvez ele faça bem. Ou não.

E eu? Eu vou tocar a vida em frente. Vou prosseguir levando um pouco de tristeza, porque eu também meti os pés pelas mãos muitas vezes nessa história; um pouco de alívio, porque pude finalmente entender muito do que aconteceu; um pouco de pesar, porque fiz outras pessoas sofrer; um pouco de paz, por saber dentro do meu coração que apesar de tudo de ruim que aconteceu eu ainda consigo ver coisas boas em todo mundo que fez parte dessa história. E mesmo que ninguém acredite em mim, vou prosseguir levando o meu amor confuso, palerma e abestalhado pra quem quiser e puder receber...

"Um dia triste,

Toda fragilidade incide

E o pensamento lá em você

E tudo me divide..."

(Djavan)

Solidão

"A tua solidão
com a minha
é uma multidão".
(Gustavo)

"Fui ao mar
e não vi nada.
Nem sequer vi
onde estava.
Só havia a solidão
da cantiga que eu cantava"
(Madredeus)

"E sobre a solidão, dizíamos: 'É tudo o que existe...'"
(Gabriela)

22.4.05

Passado Presente Futuro

"Sem memória;
Sem compreensão;
Sem desejo."

Aula da Cristina, falando sobre psicanálise. Agora não me lembro quem foi (Lacan?) que disse que o psicanalista deve ouvir sem memória, sem compreensão, e sem desejo. Ou seja, sem tentar relacionar com fatos do passado do paciente, sem tentar enquadrar o paciente, e sem ter expectativas sobre o que vai ser falado e o que se pode fazer.
Foi quando me deu um estalo. Não é só o consultório. É a vida inteira. A gente precisa viver sem memória, sem compreensão e sem desejo. Abandonar as lembranças, o que já passou... o entendimento, as interpretações... as expectativas, as vontades... e simplesmente estar experienciando o agora. A yoga tenta ensinar isso. O espiritualismo tenta ensinar isso. Carpe Diem é um pouco isso. Viver o momento. Inspirar em 3 e expirar em 6 e saber só o que está acontecendo aqui. As memórias são o passado, que já ficou para trás. As expectativas são o futuro, que não devemos antecipar. A compreensão é a tentativa de encaixar o presente em algum esquema pré-estabelecido. Vamos nos despir de tudo isso...

18.4.05

Seiscentos e Sessenta e Seis

"A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6a. feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas."

(Mário Quintana)

Correndo, correndo, correndo. Já perdi a conta de quantas vezes eu me peguei pensando: "Nossa, mas já é quinta-feira de novo!" E nós só estamos em abril! Estou fazendo muita coisa e o tempo passa por mim voando. Mas estou aproveitando como nunca essa outra oportunidade que a vida me deu. O Mário Quintana estava certo. Numa situação dessas, a gente simplesmente segue em frente, segue em frente...

12.4.05


"Pratique dança do ventre"; "Não faça aborto"; "Ame seu corpo"; "Seja carinhoso"; "Se respeite"; "Se exponha"; "Mostre sua cara - ou seu umbigo"; "Aceite sua barriga"; "Descubra como as partes do seu corpo se harmonizam"; "Tenha o rei na barriga"; "Enxergue um palmo além do seu umbigo"; "Have the guts to love" Posted by Hello

11.4.05

"Se pelo menos não vivêssemos tentando ser felizes, até que poderíamos nos divertir bastante."
(Edith Warton)

8.4.05


TatiGirl jogando pebolim no Barzil. Foto batida pelo Torão, ficou interessante! Posted by Hello

4.4.05

Sobre o Amor Antes de Todas as Coisas

Antes que você surgisse,
E adentrasse a minha vida de repente,
Antes que eu te conhecesse, e me assustasse,
E o desejo me invadisse...

Antes que eu te amasse,
Antes que eu te visse sofrido e derrotado,
E conhecesse a tua força,
Antes que eu me admirasse, me espantasse,
E te quisesse para sempre meu...

E antes, muito antes que você se fosse,
Antes que eu chorasse, que eu sofresse,
E te maldizesse,
E te odiasse, e me odiasse por te amar,
Antes que eu te perdesse,
E perdesse a mim mesma nesse luto...

E antes que eu me reencontrasse,
Antes que você voltasse,
Que eu te visse, te reconhecesse, te perdoasse,
Antes que eu estivesse aqui a te dizer todas essas coisas...

Eras antes que tudo isso acontecesse...

Meu coração já conhecia a idéia de você,
E eu já sentia a sua falta...

3.4.05

haicai

Acima, a lua
Melhor te beijar a boca
do que te fazer versos.

(Sonia Godoy)

Pra quem já viu, e pra quem não viu, essa sou eu na primeira apresentação de dança do ventre que participei. Posted by Hello

1.4.05


Depois do "Reveillon no Guga - eu vou!" eis aqui o selo do mais recente evento patrocinado pelo Centro Recreativo Sancinetti: "Churras do Guga - eu vou!" Posted by Hello

31.3.05

Carente pra Caramba

Tou carente pra caramba;
Graça não tem.
Será que dá samba?

(um poeminha em homenagem ao meu lastimável estado emocional e àquela frase do Vinícius que disse: "pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza")

27.3.05

o não dito

silêncio...
silêncio...
silêncio...
silêncio...
silêncio...
...


esse maldito silêncio
que me estoura os tímpanos!

25.3.05

Frase Bônus:

"Pensar enlouquece. Pense nisso."


(não me canso de achar expressões as mais variadas da filosofia do não-pensamento de Alberto Caieiro. Essa saiu dum blog que eu achei num outro blog que é dum cara que criou uma comunidade no orkut, etc etc blá blá. Clique no título do post para o link.)

O Nosso Amor a Gente Inventa

(da série "Cazuza fala por mim"; para M.)

"O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba, a gente pensa
Que ele nunca existiu"

24.3.05

Silêncio Sincopado

(Para H.)

Quando o teu surdo soa some o meu silêncio;
Sei que o meu repique te atrapalha o samba.
Sim, seria lindo se soasse certo,
Sinto que esse jam dava uma sinfonia.
Mas se é cedo, deixa, a gente toca um dia,
Assim que o sentimento se afinar com o tempo.

23.3.05

Esse eu escrevi pro "About me" do orkut, mas acho que vale a pena botar aqui também. Pra vocês, um pouco de mim:



É. Eu admito que talvez devesse, mas confesso, não sei tudo sobre mim ainda não. Aqui vai um pouco do que eu já descobri até agora: sou uma ex-arquiteta, professora de inglês praticante, e atualmente aluna do curso de psicologia que se encontra totalmente apaixonada e envolvida pelo assunto! Adoro escrever, principalmente poesia, mas não me atrevo a me denominar poetisa – ainda! Bailarina de dança do ventre já tem uns 4 anos, tocadora de caixa na bateria da Federal (ainda não tem 4 aulas...), praticante de ioga (adoro um incenso, um óleo, um cheiro...) , totalmente viciada em livros e em chocolate!

Sou calma, muito carinhosa, apegada à minha família e aos meus amigos (faço coleção; tem uns que eu guardo há 10, 15, 20 anos...), bastante sociável – adoro uma bagunça, uma balada, qualquer coisa que junte gente – mas também tenho meus momentos de necessária solidão (ou solitude, como diria a minha mãe, pra escapar do termo pejorativo). Me considero uma boa ouvinte, e sou muito bem humorada: pode contar comigo pra rir de qualquer coisa, até de mim mesma! Procuro me situar em algum lugar entre a vaidade e o conforto, mas eu confesso que fico confortável se estiver me sentindo bonita mesmo que não esteja conseguindo respirar muito bem! Da mesma forma, acho mais importante ser feliz do que ter razão, mas fico bem contente quando percebem que eu estou certa! hehehe... Excessivamente autocrítica: muito mais exigente comigo mesma do que com os outros (na verdade, com os outros sou super condescendente, o que também não é bom).

Tenho a espiritualidade como uma questão presente mas que se manifesta de muitas formas diferentes. Vejo Deus naquilo que me traz paz, e que vem pra mim nas mais diversas maneiras: numa missa, numa aula de yoga, no meio do mato, dentro da cachoeira, andando de bicicleta, numa noite fria e estrelada... Ainda estou “procurando a minha turma” nesse quesito, mas comecei a freqüentar um centro espírita e estou acreditando que pode estar aí. Aliás, mato pra mim é fundamental. Sou muito urbana, mas preciso sentar na grama (mesmo que coce), ouvir o barulho do vento nas árvores, ver a água correndo ou simplesmente parada refletindo o céu, preciso regularmente de um horizonte verde e distante pra me reequilibrar.

No momento estou à procura de uma companhia pra dividir uma certa garrafa de vinho que o meu irmão me trouxe da Argentina, mas há certos pré-requisitos a se cumprir. Entretanto, não há pressa; afinal, o vinho só melhora com o tempo...

20.3.05

A bunda, que engraçada



A bunda, que engraça
da.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora - murmura a bunda - esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si

na cadência mimosa, no milagre

de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte
por conta própria. E ama.

Na cama agita-se. Montanhas

avolumam-se, descem. Ondas batendo

numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz

na carícia de ser e balançar

Esferas harmoniosas sobre o caos.


A bunda é a bunda

redunda.

(poeminha do Carlos Drummond de Andrade em homenagem a um acesso de irreverência que eu presenciei este final de semana! :-) )


"Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho"

(Alberto Caieiro)

Fernando Pessoa sempre vai no ponto... o que é que sobrou pra gente dizer depois que ele já disse tudo?

14.3.05

A GENTE SE FODE, MAS SE DIVERTE


Primeiramente, perdão pela grosseria do título. Mas é que o tema permite uma certa irreverência. Hoje eu quero falar do humor. Quero falar dessa capacidade que a gente tem, a gente precisa ter, de rir de nós mesmos e das nossas pequenas tragédias cotidianas. E, porque não, das grandes tragédias também...

Tudo o que é trágico é também um pouco cômico. A desgraça sempre tem um jeito meio abobalhado, meio atordoado, atrapalhado, cínico e desengonçado de acontecer. No meio do drama a gente se consola dizendo que um dia ainda vai rir de tudo aquilo. Pois eu acho que o barato mesmo é começar a rir imediatamente, intercalar o choro com o riso, e não perder nem um bocado do prato que a vida nos dá pra provar (adoro aquela cena de Harry e Sally quando ela está chorando porque o Joe vai se casar, e o Harry faz uma piada... é ótima a performance da Meg Ryan rindo e chorando ao mesmo tempo!).

Velório da minha tia. O obituário dizia assim: “Morre Amália Maziero. Deixa as irmãs Armelinda (in memorian), Rosalinda (in memorian), casada com Israel (in memorian), Mafalda, casada com Ernesto (in memorian), Palmira, casada com não sei mais quem, in memorian, in memorian....” Meu irmão leu aquilo e soltou: “É, tá mais pra encontra as irmãs....” E rimos! Afasta a dor? Ah, quem dera, quem dera... Mas nos faz lembrar que a gente ainda está vivo, e que a vida é boa, e que é por isso que vale a pena ficar triste quando alguém se vai.

Outro dia, na revista Veja, a Lia Luft escreveu citando alguém que dizia pra ela que em certos momentos da vida é o humor, mais que o amor, que nos salva. Eu vou mai longe. Tem uma frase do Roberto Freire que diz que é o amor, e não a vida, o contrário da morte. É baseada nessa frase que eu solto a minha máxima sobre o assunto: “É o humor, e não a vida, o contrário da morte”.

Posted by Hello