20.12.05

Prefácio e Poema

“Porque tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
E porque um simples retrato
mais que você, me comove,
se você mesmo está presente?”
Cassiano Ricardo

“Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E tenho de fechar meus olhos para ver-te!”
Mário Quintana

É meu amigo,
e se queixa
de não estar sendo visto com clareza,
de se sentir pressionado
a responder a irreais expectativas
sobre ele pousadas.
É meu amigo, e se queixa
de que nós, as meninas,
não vemos senão ilusão.
É meu amigo, e percebo
que a elas também não vê claramente
a não ser quando elas se vão.

É, meu amigo...
A mim, igualmente, vês mais nítida
aquela que fui
do que esta que sou.
Mas meu olhar, agora cubista,
o dos múltiplos espelhos,
quer te ver por todos os lados:
os lados novos, e os velhos.
E aprendi, meu amigo,
a te amar em tua humanidade
exercida, por vezes,
à imagem e semelhança de Deus;
e outras tantas
a partir da prerrogativa do erro.
E é, meu amigo,
exatamente assim que te vejo.

3 comments:

Gabi said...

É, minha amiga... Olha, se vc puder me dizer como conhecer uma pessoa por todos os ângulos... rsss... Eu pelo menos, não conheço ainda todos os meus...=P
Beijo querida, e parabéns pelo poema! E boa sorte na sua empreitada!!
=*

Anderson said...

Que belo, não sabia que voce escrevia também e tão bem...Legal!

rogerbile said...

É, minha amiga... às vezes a gente escreve coisas, e nem percebe como elas se relacionam com outrem... hehehe
Beijos